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6.7.10

VIOLÊNCIA NA INFÂNCIA E TENTATIVAS DE SUICÍDIO NA IDADE ADULTA

Quase todos os países ocidentais reconhecem hoje os riscos inerentes ao não tratamento das doenças do foro emocional, nomeadamente da depressão. Em Portugal, como no resto da Europa, existem grupos de estudo sobre o suicídio e, ainda que seja razoável queixarmo-nos da falta de investimento em serviços de saúde mental, a verdade é que há vários anos que muitos profissionais se esforçam por investigar esta problemática e potenciar a intervenção médica. Algumas empresas e instituições públicas estão já sensibilizadas para os riscos da depressão e, nesses casos, é mais fácil identificar trabalhadores em risco e encaminhá-los para serviços de saúde que provejam o devido acompanhamento. Infelizmente, trata-se de uma minoria.

Ainda que seja consensual que as notícias sobre o suicídio devam ser abordadas com muita parcimónia (são conhecidos os efeitos nefastos de algumas reportagens), a informação é, quase sempre, poder. Conhecer o que está por detrás de muitos casos de suicídio (ou de tentativas de suicídio) é alargar a nossa sensibilidade, a nossa vigilância, em relação àqueles que nos rodeiam e que, tantas vezes, sofrem em silêncio.

São as pessoas deprimidas que estão mais vulneráveis à ideação suicida, mas a depressão pode assumir muitas máscaras, tornando-se muitas vezes difícil reconhecer claramente os seus sinais. Mas quando se conhece as feridas, as dores, o passado emocional de quem está à nossa volta, a compreensão sobre a dimensão dos problemas é, naturalmente, maior.

Não será surpreendente afirmar que são as pessoas que viveram maiores traumas na infância que, na idade adulta, são mais propensas ao suicídio. Refiro-me a adversidades como a experiência de abusos físicos ou sexuais, mas também a morte de um familiar próximo, o divórcio dos pais, o aparecimento de uma doença grave ou a violência familiar. Até as adversidades financeiras da família podem deixar marcas. Nem todas as crianças que passam por estes eventos potencialmente traumáticos se tornam adultos deprimidos e em risco de sofrer de ideação suicida, felizmente. Mas, a probabilidade é, indiscutivelmente, maior. Por exemplo, dentre os participantes de uma investigação que analisou o percurso de pessoas que tentaram o suicídio, 29 por cento foram vítimas de abusos físicos na infância, 25 por cento assistiram a episódios recorrentes de violência familiar e 15 por cento foram abusadas sexualmente.

A identificação destes casos pode e deve partir dos técnicos de saúde que acompanham estas famílias, permitindo o acompanhamento rigoroso das pessoas em risco.

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