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24.8.10

SENTIMENTOS DE CULPA

Como digo frequentemente em sede de terapia, há uma grande diferença entre a assunção de responsabilidades e a assunção de culpas. Quando alguém assume que uma determinada situação é da sua responsabilidade até pode estar a reconhecer um erro, mas de que valerá sentir-se culpado? Não se trata de uma questão de semântica, mas da tentativa de olharmos para o que fizemos e/ou para o que pode ser feito sem permitirmos que a culpa distorça a nossa percepção da realidade. Não é por acaso que os sentimentos de culpa estão intimamente associados à depressão.

Por oposição aos sentimentos de culpa, o sentido de responsabilidade ajuda-nos a olhar para as nossas escolhas e para o comportamento dos outros de forma mais justa e equilibrada. Infelizmente, algumas pessoas vêem a sua vida altamente condicionada por sentimentos de culpa que pouco ou nada têm de racionais. Limitam a sua vida, as suas escolhas, convencidas de que não merecem ser (mais) felizes e/ou de que determinadas escolhas reflectiriam o seu egoísmo. Por questões sobretudo culturais e educacionais, são as mulheres que mais frequentemente se limitam a si mesmas em função destes sentimentos. Por exemplo, conheço algumas mulheres que, em pleno século XXI, não vão ao ginásio nem têm qualquer actividade individual porque estão convencidas de que isso implicaria serem egoístas em relação à sua família. Outras vêem o seu percurso académico interrompido pelo nascimento dos filhos mas sobretudo pela crença irracional de que, enquanto mães, têm a obrigação de estar sempre presentes na vida dos filhos (desde que não estejam a trabalhar).

Quando alguém escolhe limitar os seus sonhos e projectos em função das preocupações com o bem-estar alheio deve, antes de mais, tentar ser justo. Há alturas na vida em que o nosso amor à família nos leva a abdicar de algumas realizações, mas estas decisões devem partir do diálogo sincero e da negociação equilibrada e não de sentimentos de culpa que, mais cedo ou mais tarde, nos consumirão de amargura.

Alguns dos pensamentos irracionais que assolam estas mulheres e que alimentam sentimentos de culpa inúteis são:
  • “Dizer não é um sinal de egoísmo”;
  • “Pedir alguma coisa aos outros é um sinal de que só estou a pensar em mim”;
  • “Se alguém fica chateado comigo, é porque sou má (ou egoísta)”;
  • “Devo sacrificar as minhas necessidades em nome dos outros”.

Darmo-nos autorização para lutar pelos nossos sonhos não implica, de modo algum, que deixemos de estar disponíveis para aqueles de quem gostamos. Pelo contrário, consumirmo-nos pela culpa, convencermo-nos de que não merecemos, fará de nós pessoas menos justas e, claro, menos felizes.

Há alguns pensamentos que podem ajudar-nos a combater os sentimentos de culpa:
  • “Eu tenho o direito de me impor, mesmo que isso incomode os outros”;
  • “Eu não tenho obrigação de dizer que sim a todas as solicitações”;
  • “Dar não é tudo na vida. Sou tão importante como os outros”;
  • “Dizer «não» não faz de mim uma pessoa egoísta”;
  • “Posso sentir-me bem, mesmo que alguém esteja chateado comigo”.
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