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4.8.10

TERAPIA CONJUGAL: O QUE FALTA A ESTES CASAIS?

Enquanto psicóloga clínica, trabalho com famílias, casais e com pessoas que me procuram individualmente mas não é segredo para ninguém que trabalho maioritariamente com casais que procuram ajuda para a sua relação. Os estudos sobre casamento e satisfação conjugal fazem parte do percurso que escolhi, pelo que de vez em quando vou partilhando aqui algumas conclusões nessa área. Já escrevi sobre os pilares do amor romântico, sobre os princípios que sustentam um casamento e até sobre os factores preditores de divórcio.

Não confio nos livros de auto-ajuda enquanto soluções mágicas para problemas globais, nem acredito que o que aqui vou publicando possa funcionar como guia de resolução de problemas. Acredito, isso sim, no potencial terapêutico da informação acerca de dificuldades que estão ainda pouco divulgadas. Nenhum texto publicado na Internet pode servir de base à elaboração de auto-diagnósticos, mas há muitas pessoas que assumidamente se revêem na exploração de alguns temas e, a partir daí percebem, pelo menos, que poderão beneficiar de ajuda especializada. A simples confrontação com a descrição de problemas semelhantes aos nossos dá-nos a percepção de que o nosso caso não é único e, melhor ainda, pode ser tratado.

Assim, quando escrevo sobre o casamento e as relações conjugais não pretendo apenas dar a conhecer regras universais para salvar um casamento, mas sobretudo potenciar a reflexão sobre o que são relações amorosas saudáveis. Perante a pergunta “O que falta aos casais que a procuram?” dei por mim a pensar numa palavra: segurança. Afinal, é disso que cada um de nós precisa em qualquer relação afectiva. Precisamos de sentir-nos seguros. Quando a pessoa que amamos falha no desafio constante que é fazer com que nos sintamos seguros naquela relação, o nosso alarme interno começa a soar e, se nada mudar, desesperamos e é muito fácil entrarmos num ciclo vicioso. Claro que esta questão pode ser esmiuçada, permitindo-nos identificar diferentes tipos de pedidos de ajuda, diferentes situações clínicas. No limite, cada caso é único e especial. Cada história de vida inclui eventos específicos determinantes. Mas é possível identificar dois grandes alicerces em qualquer relação conjugal satisfatória e duradoura: o respeito e a confiança. Quando um destes dois alicerces é abalado, a relação treme, os membros do casal sentem-se inseguros e alguma coisa tem mesmo de ser feita.

Se é relativamente fácil perceber, genericamente falando, que a confiança e o respeito possam ser a base de uma relação amorosa, pode não ser tão fácil perceber em que medida é que estas fundações podem estar a ser colocadas em causa. Se existir uma relação extraconjugal, é óbvio que a confiança é abalada. Mas em que medida podemos considerar que é de confiança ou de respeito que estamos a falar quando falamos de divergências que têm a ver com as escolhas profissionais de um dos membros do casal? A experiência mostra-me que é quase sempre um destes factores que está por detrás destas divergências.

Mas mesmo que consigamos discernir, em sede de terapia, sobre o que está por detrás dos problemas apresentados, o trabalho que se segue depende da vontade de cada um dos membros do casal de ir ao encontro das necessidades do outro, tantas vezes em detrimento dos próprios impulsos.

Uma das divergências do João e da Vera está relacionada com o facto de a Vera se encontrar regularmente com antigos colegas e ex-namorados sem a presença do marido. Para a Vera, “quem ama, confia”, pelo que compete ao João resolver o seu problema de auto-confiança. Mas para o João esta é, sobretudo, uma questão de respeito. O seu objectivo não é limitar a liberdade da mulher, proibindo-a de sair com outras pessoas. Sente-se desrespeitado na medida em que, apesar de já ter mostrado a sua vontade de conhecer estas pessoas, este convívio foi sempre negado. A Vera não tem, de facto, qualquer interesse romântico nos homens com quem se encontra a sós, mas as suas vulnerabilidades associadas ao crescimento junto de um pai muito controlador estão a afectar o seu discernimento sobre as necessidades do seu marido.

Precisamos (todos) de sentir que podemos confiar na pessoa que amamos e isso vai muito além de provas de confiança. Precisamos que a pessoa que escolhemos para estar ao nosso lado se mostre disponível para entender e respeitar as nossas necessidades.

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