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15.9.10

NASCIMENTO DOS FILHOS E DEPRESSÃO

A depressão pós-parto é pontualmente alvo de atenção aqui no blogue. Tenho tentado desmistificar algumas das questões relacionadas com esta problemática chamando a atenção para dados que nem sempre são discutidos, como o facto de os pais também poderem sofrer de desta forma de depressão. Não é por acaso que o faço – dentre os casais com quem trabalho, a grande maioria tem filhos e, destes, é frequente deparar-me com transtornos depressivos que se arrastam ao longo dos anos sem que haja um diagnóstico rigoroso.

Nunca é demais lembrar que o nascimento dos filhos corresponde, de um modo geral, a uma das fases mais bonitas no ciclo de vida de uma família. Mas, como qualquer psicólogo clínico saberá, o nascimento de uma criança implica muito mais mudanças do que a generalidade dos pais antecipa, pelo que esta etapa também pode ser marcada por dificuldades relacionais que nem sempre são claramente assumidas.

As últimas pesquisas na área dão conta de que muitos pais e mães sofrem de algum transtorno depressivo durante os primeiros 12 anos de vida dos filhos, sendo o primeiro ano o mais crítico. Num desses estudos, que reuniu dados de mais de oitenta mil famílias ao longo de 15 anos, foi possível verificar que nos primeiros 12 meses depois do nascimento dos filhos a taxa de prevalência de depressão nas mães é de mais de 13 por cento e, entre os pais, ultrapassa os 3 por cento. Estes números – assustadores para alguns – explicam-se maioritariamente pelos níveis de stress associados ao nascimento da criança, ao empobrecimento da qualidade do sono dos pais e mães, às exigências do papel parental (em acumulação com todos os outros) e à pressão que estas mudanças exercem sobre a própria relação conjugal.

Há alguns grupos mais propensos a esta perturbação e que estão claramente identificados. Assim, o risco de depressão associado ao nascimento dos filhos é maior entre:
  • Pessoas com histórico de depressão;
  • Pais e mães muito jovens (entre 15 e 24 anos);
  • Pessoas socialmente desfavorecidas.
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