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26.10.10

TERAPIA DE CASAL – FALAR DE SEXO

Recebo com frequência mensagens que me dão conta da diminuição do desejo sexual nas mulheres. Às vezes são os maridos que me escrevem queixando-se da perda de intimidade sexual mas na maior parte dos e-mails são elas que pedem ajuda para compreender e gerir as mudanças por que passaram e que se traduzem no desinteresse sexual, mesmo quando ainda existe amor romântico. Como este continua a ser um tema sensível e, nalguns casos, tabu, as dificuldades agudizam-se com sentimentos de culpa, críticas e ciclos viciosos.

É relativamente fácil perceber que a partir do nascimento do primeiro filho surjam algumas dificuldades do foro sexual - é preciso a necessária adaptação à nova etapa do ciclo de vida familiar e isso pode implicar avanços e recuos. Mas o turbilhão de mudanças associado à vinda de uma criança não explica tudo. Mais: quer em sede de terapia, quer através dos e-mails que recebo, são frequentes os pedidos de ajuda de casais jovens sem filhos. Estas situações são difíceis de gerir até para a própria mulher, que assume que ama o marido/ namorado, mas que não consegue sentir o desejo e o prazer de outrora. Em muitos casos a mulher reconhece que o companheiro é carinhoso, cúmplice e compreensivo e empatiza com o sofrimento e a rejeição associados à inexistência de uma vida sexual satisfatória. A páginas tantas estas mulheres cedem à vontade do companheiro, têm relações sexuais, e acabam por sentir-se frustradas porque o acto sexual passa a ser gerador de desconforto, pelo que o simples facto de se conversar sobre o assunto passa a ser visto como uma forma de cobrança. Pior: a intimidade sexual é vista como mais uma obrigação, uma responsabilidade, a acrescentar a todos os outros compromissos.

Quando a sexualidade deixa de ser uma fonte de prazer para passar a ser uma fonte de stress, isso não quer dizer que não haja amor. Se já houve desejo e prazer, é porque a mulher é capaz de desfrutar da sexualidade com o seu companheiro mas há, temporariamente, alguma coisa errada. Estas dificuldades implicam muito sofrimento, e não apenas para o homem, que se sente rejeitado - também para a mulher.

Quando o sexo representa uma fonte de stress, é provável que os membros do casal não estejam a ser capazes de falar abertamente sobre questões sensíveis, geradoras de ansiedade. Cada casal tem diferentes fontes de stress, tais como problemas de dinheiro, dificuldades com os sogros, excesso de trabalho, transtornos depressivos e ansiosos e alguns problemas sexuais que não são falados abertamente. Estes problemas – isolados ou em grupo – podem ser a verdadeira origem da diminuição de desejo.

Em muitos casos o tabu diz respeito à própria sexualidade, isto é, àquilo que dá prazer a cada um dos membros do casal e/ou àquilo que contribui para que se sintam desconfortáveis. Infelizmente muitos casais continuam a não ser capazes de falar de sexo, acabando não só por não expressar aquilo de que precisam, como por acumular frustrações que alimentam o fosso. Esta relutância em falar sobre sexo está muitas vezes relacionada com o medo de ferir os sentimentos do cônjuge. Até os casais jovens evitam muitas vezes discutir questões importantes como a duração dos preliminares, as preferências de cada um, falar ou não durante o acto sexual, etc.

Noutros casos, também muito frequentes, é o dinheiro que está na origem da distância e da perda de desejo. Afinal, falar de dinheiro continua a ser gerador de ansiedade para muitas pessoas, acabando estas dificuldades de comunicação por potenciar o afastamento emocional e, consequentemente, condicionar a vida sexual do casal.

Os sogros podem constituir uma ameaça à intimidade dos jovens casais ao meterem o nariz onde não são chamados. Importa traçar limites claros a esta interferência, o que depende da capacidade dos membros do casal para falar abertamente sobre estratégias para lidar com as famílias de origem.  

Uma relação amorosa não é sempre fácil e pode requerer ajustes pontuais. As pessoas mudam, as suas necessidades também e é preciso conversar abertamente para que o caminho continue a ser feito a dois. Nalguns casos o melhor é recorrer à terapia de casal e beneficiar da ajuda especializada.

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