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11.1.11

CRIANÇAS SEM AMIGOS

A maior parte dos pais aposta na demonstração clara dos afectos em relação aos seus filhos, procurando dar-lhes o carinho e a confiança de que estes precisam para se sentirem emocionalmente seguros, e espera também dar-lhes todas as ferramentas que lhes permitam enfrentar o grupo de pares (primeiro) e a vida adulta (mais tarde) com sucesso. Ainda que os próprios pais nem sempre cultivem as respectivas amizades, são notórios os seus esforços para que as crianças socializem, façam amigos, criem laços. É como se o facto de as nossas crianças serem seres sociáveis nos conferisse um atestado de competência.

Contudo, algumas crianças não conseguem criar estes laços, não conseguem fazer amigos, o que é naturalmente uma fonte de preocupação para os pais, um sinal de alerta. Nalguns casos, o problema é desvalorizado, o isolamento é visto como algo transitório e os adultos ficam à espera que, mais cedo ou mais tarde, a criança acabe por desenvolver competências que lhe permitam fazer amigos. Só que o problema pode cristalizar-se e deixar marcas. As crianças que não têm amigos correm o risco de se transformar em adolescentes isolados propensos à depressão. No entanto, para a maioria das crianças tímidas e retraídas, os amigos podem funcionar como uma defesa contra a tristeza.

Os efeitos do isolamento social na infância podem ser duradouros e muito negativos, como evidenciam os estudos longitudinais efectuados nesta área. As pesquisas mostram que, ao longo do tempo, as crianças mais retraídas vão evidenciando níveis mais elevados de tristeza e depressão. Num ciclo vicioso aflitivo, estas crianças acabam por não desenvolver determinadas competências sociais e são vistas pelos colegas como agressivas e/ou como imaturas.

A capacidade para fazer amigos na infância promove a resiliência e protege as crianças dos transtornos depressivos e ansiosos. Pelo contrário, o isolamento é como uma bola de neve, já que a exclusão social aumenta os níveis de depressão na criança e esse estado emocional pode escalar até à adolescência.

Aos pais compete estarem atentos, pedir ajuda quando for necessário, e promover os laços afectivos com outras crianças. Na maior parte dos casos, o essencial é o primeiro passo, o primeiro amigo. Ter um amigo já tem um efeito protector sobre as crianças mais tímidas ou retraídas, tornando-se numa espécie de escudo contra as experiências sociais negativas, ajudando a desenvolver competências que, por sua vez, ajudarão a criar novos laços.
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