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7.7.11

INTIMIDADE EMOCIONAL E INTIMIDADE SEXUAL

Quando se trabalha há tantos anos com casais, há questões que tendem a repetir-se mais do que outras. No início de qualquer processo terapêutico procuro explicar que o meu papel também passa por colocar algumas questões mais ou menos íntimas e que estou ali para respeitar o ritmo de cada um, pelo que aceito se um dos membros do casal não se sentir confortável para falar sobre um determinado assunto. Mas a experiência clínica mostra-me que são raríssimos os casos em que alguém se recusa a responder a alguma pergunta. Contar-se-ão pelos dedos. A razão é simples: se as pessoas tiveram a coragem de recorrer à ajuda da terapia conjugal é porque o mal-estar instalado é suficientemente perturbador, pelo que, mais do que o pudor, aquilo que predomina é quase sempre a vontade de partilhar tudo, na esperança de ultrapassar as dificuldades rapidamente.

Mas se é verdade que, de um modo geral, os membros do casal estão disponíveis para se revelarem em sede de terapia, também é importante reconhecer que há quase sempre diferenças no que toca à forma como cada um se revela dentro da relação. De resto, uma das queixas mais frequentes do lado feminino diz respeito à inexistência de intimidade emocional na relação. Esta insatisfação pode dar lugar a ciclos viciosos, já que não raras vezes, quando a mulher diz "Tens de te revelar mais" ou "Estou descontente com a nossa intimidade emocional", o marido não é capaz de perceber onde é que está a falhar e como é que pode ir ao encontro das necessidades da mulher. A resposta pode variar entre "Não sei o que é que tu queres mais..." até "Sinto-me incapaz de perceber o que é que tu queres dizer com isso... Nós falamos...".

Em função da forma como homens e mulheres foram educados, para alguns maridos não está claro que a intimidade emocional que se espera numa relação conjugal possa ir além das conversas superficiais que se tem à mesa de jantar. Pior do que isso, se as queixas se tornam particularmente intensas ao fim de 10 ou 20 anos de casamento, é legítimo que o marido se questione sobre a validade das críticas que lhe são feitas. É como se, de um momento para o outro, lhe estivessem a pedir para falar russo, sem ter tempo para perceber de onde surgiu tal necessidade!

A terapia também serve para ajudar os membros do casal a perceber que a intimidade emocional é mais do que diálogo diário. Sentirmo-nos verdadeiramente ligados a alguém que amamos deve implicar que nos sintamos seguros ao ponto de sermos capazes de partilhar com frequência os nossos sentimentos, as nossas preocupações, angústias, medos e afins. Amar e ser amado não é só dizer "Eu amo-te mais do que tudo na vida" - é confiar suficientemente naquela pessoa ao ponto de não sentirmos necessidade de esconder nada. É sentirmo-nos de tal modo "escolhidos" e amparados que já não precisamos de mascarar nada. É ter a certeza de que as nossas fantasias, ambições e desejos serão validados pelo parceiro. E isso é extensível à intimidade sexual. Numa relação emocionalmente segura os membros do casal expõem-se sem pudor, partilham as suas necessidades e devaneios e o acto sexual é muito mais do que um ritual mecanizado em que as duas pessoas mal se tocam. Há carícias, há contacto visual, há entrega e há, sobretudo, descontracção. Na intimidade sexual, tal como na intimidade emocional, pode ser necessária a intervenção clínica para que os dois membros do casal se sintam satisfeitos e as barreiras que limitam essa satisfação sejam realmente ultrapassadas.
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