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25.8.11

CASAMENTOS QUE ACABAM POUCO TEMPO DEPOIS DE COMEÇAR

Quando se trabalha maioritariamente com casais, como é o meu caso, é-se frequentemente confrontado com perguntas que poderiam fazer parte de qualquer reportagem sensacionalista a respeito da importância do casamento na sociedade actual. De um modo geral, acho que posso afirmar que as perguntas que me colocam estão quase sempre ligadas aos factores subjacentes às crises conjugais. É curioso que as dúvidas de quem não é terapeuta conjugal mas tem interesse legítimo sobre o amor e as relações amorosas estejam sobretudo relacionadas com os problemas que podem levar a que um casal peça ajuda clínica e/ou com os problemas que podem levar a situações limite como o divórcio ou um processo de infidelidade. Não seria lógico que as perguntas se centrassem nos pilares que sustentam as relações de sucesso? Não valerá a pena analisar com rigor e seriedade aquilo que sustenta os casamentos felizes de longa duração?

Estas questões parecem-me ainda mais pertinentes quando sou confrontada com ideias preconcebidas, baseadas num ou noutro caso real, e que defendem que o casamento pode destruir uma relação. As pessoas que abordam o assunto desta forma estão a ser sinceras quando afirmam "Conheço alguém que namorou durante 10 anos, casou e separou-se em menos de um ano". Só não estão a ser rigorosas quando pressupõem que foi a oficialização da relação que desencadeou a ruptura.

Do meu ponto de vista, continuam a celebrar-se casamentos a mais. O que quero dizer é que há ainda uma fatia considerável da população que casa pelos motivos errados e, quando isso acontece, a probabilidade de as coisas correrem mal é naturalmente maior. É verdade que vivemos sob o primado do amor, o que significa que a maior parte das pessoas escolhe casar com a pessoa que ama e acredita que poderá ser efectivamente feliz. Mas algumas destas pessoas não possuem a inteligência emocional necessária para fazer escolhas sensatas no momento certo. Algumas (muitas) pessoas precipitam-se e acabam por casar sem que haja, dentre outras coisas, um conhecimento mútuo profundo. Desenganem-se os leitores que pensem que estou a referir-me apenas aos casais que decidem oficializar a relação ao fim de 3 meses de namoro. Depois de mais de 10 anos a trabalhar em terapia de casal, posso afirmar com segurança que há um número assustador de pessoas que não conhecem a pessoa com quem estão prestes a casar. Conhecem-lhes as manhas, os gostos, os sonhos, as rabugices e até alguns problemas mas, muitas vezes, desconhecem as verdadeiras feridas emocionais, as vulnerabilidades, a forma como o outro gere o dinheiro, aquilo de que precisa para se sentir conectado do ponto de vista emocional e por aí fora.

Os casos mais frequentes de casamentos que acabam pouco tempo depois de começar têm em comum a circunstância de o casamento constituir uma tentativa de dar uma lufada de ar fresco à relação. O passo, que continua a ser visto como romântico, é uma tentativa de dar sentido a uma relação que está estagnada. Os membros do casal estão acomodados, confortáveis até, mas não se sentem propriamente vivos e entusiasmados com o projecto que deveriam estar a construir. Claro que esta insatisfação não é consciente, pelo que não podemos propriamente falar de erros grosseiros. Podemos, isso sim, falar de brechas importantes ao nível da inteligência emocional.

É natural que nos sintamos mais seguros quando temos alguém ao nosso lado mas o casamento deve constituir um passo que só é dado quando há a profunda convicção de que é com aquela pessoa que queremos construir alguma coisa de muito significativa.
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