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27.3.12

O NEGATIVISMO DA DEPRESSÃO



Como quase todas as pessoas saberão, um dos sintomas mais frequentes da depressão é o pessimismo generalizado. A maior parte dos pacientes deprimidos olha para si mesmo de forma distorcida, acabando por acreditar em pensamentos como

“Não valho nada”,

“A minha vida é vazia”

ou “Nem vale a pena tentar…”.

Um dos grandes problemas associados à inexistência de acompanhamento psicoterapêutico prende-se com a impossibilidade de desconstruir estes pensamentos – a pessoa convence-se de que esta é uma visão realista da sua vida e entrega-se, ainda mais, a uma doença altamente incapacitante.

A páginas tantas quase tudo pode ser motivo para agudizar o desespero associado à doença. Se a pessoa deixa cair o saco de compras antes de chegar a casa, pensa “Sou um desastrado, não sirvo para nada”; se um colega de trabalho franzir a testa, surgem pensamentos do tipo “Ninguém gosta de mim”. É a própria depressão que inviabiliza o surgimento de alternativas mais razoáveis – nem os sacos de compras das outras pessoas se rompem, nem o colega de trabalho poderia estar aborrecido com os seus próprios problemas. Além disso, todos os erros que a pessoa deprimida comete ficam registados na sua própria memória e são vistos como sinais da sua personalidade. Por oposição, os comportamentos bem-sucedidos são olhados como meros acasos, exceções à regra.

Uma parte do trabalho psicoterapêutico realizado com pessoas com depressão passa precisamente pela aplicação de exercícios de restruturação cognitiva que ajudem a transformar as crenças irracionais em visões razoáveis e objetivas da realidade.

Quando o paciente tem oportunidade
de alterar alguns destes pensamentos,
as suas emoções também mudam.

Em paralelo com o trabalho realizado em sede de terapia é possível implementar alguns esforços para quebrar a escalada de negatividade.

♥ Antes de mais, o paciente com depressão precisa de interiorizar que o pessimismo é um sintoma da doença e que, em função disso, há muitos pensamentos que, ainda que pareçam realistas, não o são.

 Conhecer a doença implica saber que há outros sintomas, mais específicos, além da tristeza e da falta de energia:
  • Dificuldades de concentração.
  • Incapacidade para acabar projetos/ tarefas.
  • Dificuldade em lidar com grupos por causa da ansiedade.
  • Falta de motivação.
  • Inação.
  • Sentimentos de culpa e vergonha.

 Não basta identificar estes constrangimentos e responsabilizar a doença pela sua ocorrência. É preciso ser tolerante com as próprias falhas e aceitar que é preciso treino (terapêutico) para as ultrapassar.
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