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21.5.14

A CULPA DOS PAIS


É normal que um pai ou uma mãe se preocupe com a felicidade e o bem-estar dos seus filhos. E se a criança ou o adolescente der sinais de instabilidade emocional, é legítimo que os pais se alarmem e que procurem ajuda. Será que está deprimido? Afinal, não são só os adultos que se deprimem. Ou será que a revolta que demonstra é, sobretudo, um traço de personalidade? Um sinal de insolência? Mau feitio? Mesmo que não seja depressão, é preciso fazer alguma coisa. É preciso pôr um travão às queixas dos professores. É preciso parar com a agressividade lá em casa. É preciso entender de onde vem tanta agitação.

De um modo geral, os pais que me procuram estão empenhados em ajudar os filhos, estão genuinamente preocupados com a situação e desejam ser parte da solução. O problema é quando se percebe que podem ser parte... Do problema. Não é fácil encarar a possibilidade de a criança ou o adolescente estar, afinal, deprimido em resposta às dificuldades familiares. Não é fácil aceitar que as grandes mudanças podem ter de acontecer nos adultos. E que a tristeza dos filhos - a tal que se tem revelado sob a forma de explosões - é real, sim, mas é um reflexo de outros problemas. Dos problemas que os adultos têm ignorado.

Não, a culpa não é sempre dos pais. Os filhos não se deprimem nem se revoltam sempre por causa dos pais. A depressão - infelizmente - nem sequer surge sempre em resposta a um acontecimento específico. Mas às vezes - demasiadas vezes - a tristeza que os filhos carregam está relacionada com a tristeza dos pais. Aquela que não é verbalizada, que não é assumida e que não é gerida. São vários os pedidos de ajuda que surgem a propósito de crianças e adolescentes que não estão a conseguir lidar com a tensão da relação entre o pai e a mãe. Que já não aguentam gerir sozinhos a angústia que sentem a propósito de uma relação que vai esmorecendo sem que ninguém se atreva a falar abertamente sobre o que pode acontecer. São aflitivos todos os casos em que uma criança ou um adolescente carrega sobre os seus ombros o maior de todos os problemas: o pai ou a mãe não está feliz.


Todos os pais e mães querem que os seus filhos sejam felizes. E fazem aquilo que sabem para proporcionar aos filhos oportunidades de vida que lhes proporcionem a tal felicidade. Arrisco dizer que um pai ou uma mãe só é verdadeiramente feliz quando sabe que os filhos são felizes. Então, talvez não seja assim tão surpreendente a revelação de que uma criança ou um adolescente pode não conseguir ser feliz se se aperceber que os próprios pais não o são. Não vale a pena escamotear a realidade. Não vale a pena mascarar a infelicidade. Os pais podem dizer coisas bonitas, podem tentar não discutir na frente dos filhos. Podem fazer-se de fortes. Podem fingir que estão felizes. Mas isso não significa que os filhos acreditem.
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