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5.5.14

POR QUE É QUE AS PESSOAS (NÃO) TRAEM?


Por que é que as pessoas traem? A resposta parece óbvia, pelo menos para alguns - "porque aparece alguém mais interessante", "porque o sexo na relação original deixou de ter paixão" ou pura e simplesmente "porque é cada vez mais difícil manter a chama acesa no meio de todas as rotinas". Seja como for, estas respostas estão longe de constituir explicações realistas para o fenómeno da infidelidade. São visões superficiais e catastrofistas que nos dizem qualquer coisa como "é preciso ter cuidado porque há por aí umas quantas pessoas malucas (ou interessantes) capazes de dar à volta à cabeça do seu mais-que-tudo e pôr fim ao seu casamento". Como se pouco houvesse a fazer para evitar uma relação extraconjugal, a não ser manter a vigilância.

Mas a realidade é bem diferente. Para mim, que trabalho com casais assolados pelo drama da infidelidade há tantos anos, está muito claro que as pessoas não traem porque se perdeu a chama ou porque se confrontaram com alguém mais interessante do que o parceiro de longa data. De um modo geral, as pessoas traem porque não construíram uma ligação suficientemente forte. Não me interprete mal. Estou longe, muito longe, de poder dizer que "quem ama não trai". Há, efetivamente, muitos casos de quem continua a amar mas cai na esparrela de uma relação extraconjugal.

Confuso? Vou tentar explicar melhor. O que acontece é que o amor que duas pessoas sentem nem sempre é suficiente para que sejam capazes de construir uma ligação suficientemente forte, segura, capaz de as proteger destas ameaças. E o que é que caracteriza uma ligação segura? Resumidamente, é a capacidade de "estar lá" para o outro. Estar lá sempre, estar lá quando é preciso, estar lá para as necessidades afetivas, ser capaz de dar resposta aos apelos da pessoa amada, ser capaz de reconhecer as suas chamadas de atenção e colocar essas necessidades no topo das prioridades.


Quando uma pessoa conta com este tipo de apoio, quando sabe que há alguém que vai estar "lá", que vai colocá-la sempre em primeiro lugar, que vai prestar atenção, dar colo, dar afeto, mostrar-lhe que é importante, que é especial, sente-se ligada. Não é amarrada. Não é aprisionada. É ligada. E não vai querer trair. Sim, é uma questão de querer ou não. As pessoas que são felizes no casamento ao ponto de não quererem trair não são santas. Tão pouco são cegas. Reconhecem que há pessoas fisicamente atraentes, intelectualmente estimulantes, autênticos "pedaços de mau caminho". Mas escolhem não ir por aí. Porque se sentem genuinamente ligadas. Porque aquilo que têm é especial e fá-las sentirem-se especiais. É verdade. Até o sexo é diferente - é especial - quando se constrói uma ligação assim. Não é SEMPRE tudo bom. Não é sempre um mar de rosas. Mas é maioritariamente muito bom. A pessoa sente-se livre, sente-se acolhida, sente que, ao lado da outra, pode ser quem é, pode explorar os seus sonhos e as suas fantasias, e não quer abdicar disso por nada deste mundo. Nem sequer por um pedaço de mau caminho.
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