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23.6.14

APRENDA A PEDIR DESCULPA


Você acha que sabe pedir desculpa. Afinal, o mais provável é que alguém o tenha ensinado a dizer coisas como “peço imensa desculpa” pouco depois de você ter aprendido a falar. “Isso não se faz!” é, provavelmente, uma das frases que os pais e mães mais reproduzem, numa tentativa de incutirem às suas crianças os valores que lhes permitam viver em sociedade sem serem rotuladas de pequenos diabretes. De um modo geral, nós, adultos, também nos esforçamos por pedir desculpas sempre que nos apercebemos de que errámos. Claro que é muito mais provável que o façamos em contextos mais formais ou naqueles em que nos apercebemos de que não pedir desculpa pode meter-nos em problemas ainda maiores.

Muuuuito mais difícil é

- como é fácil de calcular –

pedir desculpa às pessoas que nos são mais próximas.

Mas mesmo quando deixamos o orgulho de lado e avançamos com um pedido de desculpa, será que o fazemos da forma certa? A experiência mostra-me que não. Na maioria das vezes, os pedidos de desculpa não surgem de forma genuína nem produzem o efeito esperado. Porquê? A resposta pode estar em si mesmo. Imagine que você chega atrasado a um compromisso e pede desculpa. Se eu lhe perguntar porque é que pediu desculpa, o que é que você responderá? Que o fez porque reconhece que errou? Porque sabe que nestas situações se deve pedir desculpa? Porque isso é o que fazem as pessoas maduras? Você até pode estar convencido que estas são respostas ajustadas, mas não são. Na verdade, um pedido de desculpas não deve ter nada a ver com isto. Sempre que você pedir desculpa a alguém, seja por que motivo for, a sua atenção não deve fixar-se em si mas sim NA OUTRA PESSOA. Por isso, antes de pedir desculpa, centre-se, genuinamente, no impacto do seu comportamento na vida da outra pessoa.

Identifique o prejuízo que você pode ter provocado.
Tente reconhecer a forma como a outra pessoa se sente por causa da sua escolha.
E só depois disso peça desculpa.

Você será bem-sucedido se for capaz de mostrar que está GENUINAMENTE preocupado com os danos causados, se for capaz de mostrar solidariedade para com a outra pessoa e, claro, se for capaz de mostrar ARREPENDIMENTO GENUÍNO e o COMPROMISSO COM A MUDANÇA. Não diga coisas como “Peço imensa desculpa pelo meu atraso, não volta a acontecer.” Pare para pensar na outra pessoa. Seja honesto. Expresse a sua empatia. E comprometa-se (consigo mesmo) para não voltar a prejudica-la. As suas palavras terão um impacto muito diferente. “Peço desculpa pelo meu atraso. Calculo que esteja a roubar-lhe mais tempo do que tinha previsto e que possa estar a prejudicar os seus outros compromissos. Compreendo que possa sentir-se desiludido/ irritado/ desconsiderado. Ontem deitei-me muito tarde e hoje adormeci. Não voltarei a fazê-lo.”



Ser capaz de se centrar na outra pessoa implica reconhecer que nem sempre é fácil perdoar. Às vezes a outra pessoa está efetivamente magoada e precisa de tempo para aceitar o seu pedido de desculpa. Mas se você fizer (bem) a sua parte, as coisas ficam mais fáceis.
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