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25.6.14

MAMÃ, ESTÁS TRISTE?


Toda a gente sabe que os pais e mães também se entristecem. Às vezes choram. E até há os que façam birras. Mas a experiência clínica tem-me mostrado que a maior parte dos pais e mães dá o seu melhor no sentido de protegerem os seus filhos das emoções mais negativas. Não é que queiram armar-se em super-heróis. Querem, isso sim, proteger as suas crianças do lado mais duro da vida. Querem poupá-las à crueza da realidade. Querem manter viva a fantasia e preservar o direito à felicidade daqueles seres pequeninos que tanto amam. E, por isso, mentem. Estando tristes, respondem que não, não estão: “Está tudo bem”. Limpam as lágrimas, esboçam um sorriso, torcem para que a criança não se aperceba daquilo que realmente sentem e afundam-se em sentimentos de culpa. “E agora? Será que o meu filho se apercebeu da minha tristeza? Que raio de pai ou mãe sou eu que não soube protege-lo? Estou a fazer-lhe mal de certeza…”.

O problema dos sentimentos de culpa é que estão quase sempre associados a pensamentos negativos e irracionais, que bloqueiam uma visão realista da situação. Sem que a pessoa dê conta, começa a afundar-se numa tristeza profunda sem saber muito bem o que fazer para dar a volta.

Quem é que disse que somos melhores pais se ocultarmos a nossa tristeza? Onde é que está escrito que é mais saudável mentir às crianças? A verdade é que, como qualquer pai ou mãe saberá, as crianças são particularmente intuitivas. E atentas. Então, na medida em que estejam a ser educadas num ambiente emocionalmente seguro, é natural que perguntem se estamos tristes quando se apercebem dessa emoção no nosso rosto. Aquilo que para alguns pais é encarado como um problema é, na verdade, um sinal de que estão a fazer um bom trabalho. Continuarem a ser bons pais não passa por escamotear a realidade nem por uma postura superprotetora. Passa, isso sim, por assumirem com honestidade as suas emoções, continuando a contribuir para que também as crianças se sintam livres para manifestar as suas emoções. Claro que nenhum pai ou mãe tem o direito de colocar sobre os ombros dos seus filhos o peso dos seus próprios problemas. Nenhum pai ou mãe tem legitimidade para partilhar com as suas crianças assuntos que elas não possam digerir. Mas isso não tem nada a ver com a manifestação de emoções.

Nenhuma criança gosta de ver os pais tristes. Mas a aflição de um filho ao deparar-se com a tristeza do pai ou da mãe é significativamente maior quando o adulto mente. Porque quando as palavras dizem uma coisa e a intuição da criança diz outra, a confusão é maior e dá lugar à intranquilidade.

Se o seu filho lhe perguntar se está triste, não há nenhum problema em assumir que sim, está. NENHUM. O mais importante é que a assunção da sua tristeza surja acompanhada de duas mensagens muito importantes:

1. A garantia de que a sua tristeza não tem nada a ver com a criança, isto é, a explicação de que a criança não tem culpa por você estar triste. Você não está assim porque o seu filho não arrumou os brinquedos ou porque esperneou para comer a sopa. Seja claro.

2. A garantia de que a tristeza vai passar. Não há nenhum drama associado ao reconhecimento da sua tristeza. Os seus filhos não vão ficar traumatizados, nem sequer perturbados, na medida em que lhes garanta – de forma clara – que vai ficar tudo bem. 
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