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23.7.14

PORQUE É QUE OS CASAIS DISCUTEM?


Que os casais discutem, toda a gente sabe. Que algumas dessas discussões são o reflexo de problemas sérios, também. Aquilo que a maior parte das pessoas talvez não saiba é que, para lá daquilo que torna cada história de amor num percurso único, há algumas queixas comuns à generalidade dos casais. Talvez seja fácil adivinhar os assuntos-chave que mais frequentemente podem ser geradores de tensão – sexo, dinheiro, filhos e, claro, a família alargada (sogras). Mas é possível ir mais longe: há queixas que se repetem. Há frases que são ditas quase da mesma maneira por pessoas que nunca se cruzaram e que, no meio de uma crise conjugal, até podem estar convencidas de que são as únicas no mundo a passar por aquela experiência. Que queixas são essas, comuns a tantos casais, e que me chegam diariamente ao consultório?

“ELE(A) NÃO ME COMPREENDE”

Há uma outra versão desta queixa que surge muito frequentemente na primeira consulta: “Temos problemas de comunicação”. Aquilo que, de um modo geral está por detrás destas frases é, no entanto, ligeiramente mais complexo: não é “só” uma questão de técnicas de comunicação. É, sobretudo, uma questão de ligação. Precisamos – todos – de sentir que a nossa relação está segura e que a pessoa que escolhemos tem realmente vontade de “estar lá” para nós. Precisamos de ter a certeza que é confiável. Precisamos que nos mostre diariamente que está disponível para escutar aquilo que temos para dizer. Precisamos de verificar que é capaz de passar das promessas aos atos. Quando isto não acontece, sentimos medo. E irritamo-nos. Algumas pessoas sentem-se tão dominadas por estas emoções que acabam por “metralhar” o parceiro com críticas, acusações e conversas intermináveis através das quais não conseguem passar uma mensagem clara. Em vez de transmitirem algo como “Preciso de ti”, atacam, atacam, atacam. À medida que o outro foge, instala-se o ciclo vicioso e parece que aquelas duas pessoas – que quase sempre gostam uma da outra – falam linguagens diferentes.

“ELE NÃO É UM PAI PRESENTE”

Ao longo de todos estes anos de trabalho com casais, foram muito menos as vezes em que ouvi um marido queixar-se do comportamento da mulher nestes termos. Apesar de tudo aquilo em que evoluímos enquanto sociedade, continuam a existir algumas diferenças de género a propósito dos comportamentos após o nascimento dos filhos. Algumas mulheres sentem-se verdadeiramente sós, desamparadas e, porque não dizê-lo, progressivamente desligadas dos maridos à medida que se avolumam as queixas associadas ao papel parental. Claro que é preciso olhar para as dificuldades de forma cuidada porque, muitas vezes, nem tudo é o que parece. Um marido/ pai ausente não é sempre um homem preguiçoso ou que não quer saber deste tipo de responsabilidades. Pode ser “só” alguém que desistiu de tentar, que desistiu de ser criticado, que desistiu de não ser ouvido. Pode ser alguém que durante anos tentou dizer “Preciso de ti” e não obteve resposta.

“ÀS VEZES SINTO QUE ESTOU CASADO(A) COM A MINHA SOGRA”


Para muitas pessoas a relação com os próprios pais é sagrada. Tão sagrada que, aos olhos do companheiro, é mais especial/ mais importante do que o próprio casamento. Mesmo sem querer – e sem ter realmente a consciência do que está a acontecer – algumas pessoas permitem que o medo de magoar os pais as impeça de fortalecer a sua relação amorosa. Temem que as suas escolhas, aquelas que deveriam ser tomadas a dois e que permitiriam o crescimento de uma nova família, os façam sentir-se rejeitados. E que ingratidão seria fazer alguma coisa que magoasse as pessoas que nos criaram dando-nos o seu amor incondicional! Por medo, nem sempre racional, vão andando na corda bamba, tentando agradar a gregos e a troianos, e permitindo que os laços afetivos estejam cada vez menos seguros. O que é que isso gera? Medo. Medo a quem está do outro lado e não sabe se pode contar (mesmo) com aquela pessoa. Medo de o investimento não ser aquele que deveria existir. Medo de a própria vida poder ser comandada pelas vontades da sogra. Medo de não ser assim tão importante. Medo de que o mais-que-tudo não esteja de facto “lá”.

Continua...

No próximo post:
"Ele(a) não fala comigo)", "Eu quero ter mais um filho mas ele(a) não", "parecemos dois irmãos", "Ele(a) não larga o Facebook".
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