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3.2.15

PROBLEMAS NO CASAMENTO


Chegam quase sempre aflitos. Quase todos querem salvar a relação. E quase todos assumem que o amor que sentem não tem chegado para resolver os problemas no casamento. Amam-se mas andam desencontrados. É assim que encontro a maior parte dos casais com quem trabalho.

E porque é que é assim? Terão todos os mesmos problemas? Serão sobretudo dificuldades de comunicação?


Há casais que viram a sua ligação quebrar-se com o terramoto de uma infidelidade. Há outros para quem, aparentemente, chegou o fim da linha (porque há um que não aguenta mais e pede o divórcio). Há os que estão cansados de tantas discussões. E há aqueles que (quase) nunca discutem e em que um mal conhece as necessidades do outro.

O grande desafio da maior parte dos casais tem a ver com o facto de a pessoa de quem gostamos ser, simultaneamente, aquela com mais poder para nos magoar. E não é preciso muito para que ele(a) nos fira ou nos desiluda. Basta revirar os olhos enquanto falamos, não prestar atenção quando precisamos que nos escute com carinho ou dar uma resposta torta quando nos sentimos vulneráveis.


Não há intimidade sem vulnerabilidade. Ligarmo-nos a alguém é colocarmo-nos à mercê dessa pessoa. É colocarmos o nosso coração nas suas mãos. E também é ter a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, aquela pessoa vai falhar e magoar-nos. Não porque nos queira mal. Mas porque é humana.

Os casais que constroem uma ligação forte, aqueles que procuram estar “lá” para o outro, que se preocupam, cuidam, acarinham e que colecionam memórias positivas, acabam por conseguir ultrapassar rapidamente estas mágoas. É como se tivessem um mealheiro de afetos que lhes permite relevar e continuar de mãos dadas. Às vezes até saem destes momentos difíceis ainda mais unidos e com a certeza de que querem ficar juntos.


Mas quando a relação não está segura, quando o mealheiro de afetos está vazio e as coisas boas são largamente ultrapassadas por momentos de tensão e desconexão, surge a permanente sensação de que a pessoa que amamos não está “lá” para nós na maior parte das vezes. E então cada falha é encarada como um obstáculo intransponível. Cada desilusão é um passo a caminho da rutura.
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