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5.2.18

A (DIFÍCIL) ARTE DE DIZER O QUE SENTE


Você pode tentar assumir sempre o papel de “bonzinho”. Pelo meio, vai dizendo mentiras, vai tentando agradar a toda a gente e ignorando aquilo que verdadeiramente sente. O preço é alto e você sabe disso. O seu corpo reage de cada vez que você passa por cima dos seus sentimentos, das suas necessidades afetivas.

Manter-se numa relação com alguém que já não ama, no emprego que detesta ou nas rotinas que lhe roubam a alegria de viver são escolhas que têm quase sempre a ver com o medo. O medo de desiludir, o medo de não ser suficientemente bom, o medo de falhar, o medo de ficar sozinho. Não é fácil arriscar, sobretudo na medida em que não se sinta amparado, na medida em que não tenha a certeza de que haverá sempre alguém que esteja “lá” para si, para o apoiar. É por isso que pode parecer mais sensato ir aguentando o barco, mesmo que não se sinta feliz.

Quando reprimimos aquilo que sentimos, esses sentimentos acabam por formar uma bola de neve que, mais cedo ou mais tarde, toma conta de nós. Tenho conhecido algumas pessoas assim: são uma sombra daquilo que foram um dia, sentem-se dominadas pela raiva e/ou pela tristeza.

O que é que cada um de nós pode fazer para que as nossas escolhas traduzam a nossa verdade e nos tragam a paz que merecemos?

#1: QUEBRAR O SILÊNCIO QUANDO ALGUÉM NOS MAGOA

Quando alguém nos magoa e escolhemos ficar calados, impedimos que a outra pessoa se dê conta de que errou. Não há ninguém capaz de adivinhar pensamentos, pelo que, se não dissermos exatamente aquilo que sentimos, fica mais difícil mudar o que quer que seja. Algumas pessoas são incapazes de mudar; outras são muito resistentes à mudança. Isso pode levá-lo a pensar que «não vale a pena» queixar-se. Vale SEMPRE a pena. Ninguém tem poder para mudar os outros, sobretudo na medida em que alguém não queira mudar. Mas quando assumimos aquilo que sentimos, estamos a respeitar-nos e a definir de forma mais clara os limites que precisamos que os outros respeitem.



#2: PERCEBER QUE ASSERTIVIDADE NÃO É RUDEZA

Tenho conhecido algumas pessoas que se orgulham de dizer sempre o que pensam mas que se preocupam muito pouco com a forma como o dizem. Assumirmos a nossa verdade com honestidade e clareza não tem nada a ver com a possibilidade de desrespeitarmos, desprezarmos ou humilharmos as outras pessoas, mesmo que a sua posição seja muito diferente da nossa. Ser frontal a qualquer preço tem mais a ver com falta de caráter e bondade do que com a vontade de ser verdadeiro.

#3: APRENDER A LIDAR COM A MÁGOA DOS OUTROS



Mas apenas na medida em que aceite a realidade como ela é. Assumir os seus sentimentos e as respetivas necessidades NÃO pode ser confundido com a reivindicação do apoio total da parte das pessoas que o rodeiam. Não só não vai conseguir agradar a todos como é MUITO provável que o reconhecimento daquilo que verdadeiramente sente e precisa acabe por magoar pessoas que são importantes para si. Se está habituado a fugir disso sabe bem que o preço que tem pago é a sua própria tristeza.

Não tente desvalorizar os sentimentos negativos dos outros nem se apresse a tentar compensá-los. Valorize os seus sentimentos, assuma aquilo que for verdadeiramente importante para si e aceite a tristeza/ a mágoa/ a desilusão que isso possa causar. As emoções negativas são difíceis de gerir mas fazem parte da vida de todos. Todas as relações realmente importantes trazem a sua dose de mágoa. É impossível ter uma relação emocionalmente íntima com alguém sem nunca provocar tristeza.

Por exemplo, se está cansado de almoçar TODOS os fins-de-semana em casa dos seus pais e isso o tem impedido de dar voz àquilo que genuinamente tem vontade de fazer nos seus dias de descanso, seja honesto, verbalize a sua intenção de faltar alguns fins-e-semana sem tentar camuflar a tristeza que a sua decisão acarreta. Dizer «Eu sei que o pai e a mãe vão ficar tristes mas…» é assumir as rédeas da situação com honestidade e respeito, quer por si, quer pelos outros.

Procure para todos os dias para prestar atenção aos seus sentimentos. Quando se sentir triste, ansioso ou zangado, procure questionar, com genuína curiosidade:

O que é que estou a sentir? Do que é que preciso? De que forma tenho tentado mostrar o que sinto e aquilo de que preciso? Como posso ser mais verdadeiro? O que é que EU posso fazer para me sentir em paz?
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