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25.9.18

COMO AUMENTAR O DESEJO NUMA RELAÇÃO

COMO AUMENTAR O DESEJO NUMA RELAÇÃO

No início de uma relação sentimo-nos naturalmente excitados e entusiasmados pelo processo de conquista da pessoa que queremos trazer para a nossa vida. Mas como é que mantemos o desejo por alguém que já conhecemos tão bem? E como é que alimentamos o desejo quando há crianças aos gritos o dia inteiro, contas para pagar ou preocupações com familiares que estão doentes?


Queremos o melhor de dois mundos: que a pessoa que escolhemos para viver connosco nos dê a segurança e a previsibilidade de uma relação estável e que, por outro lado, nos surpreenda e salpique a nossa vida de aventura. Gostamos de saber com o que é que podemos contar e irritamo-nos quando sabemos de cor com o que é que podemos contar. Tentamos que as rotinas não deem cabo da chama e do desejo e damo-nos conta de que nem tudo se resolve com o kamasutra ou com lingerie nova.

COMO É QUE SE CONCILIA O EROTISMO COM OS AFAZERES DOMÉSTICOS?


Numa relação de compromisso é muito fácil perder o desejo. No meio de todas as obrigações e afazeres, o mais fácil é passarmos a fazer apenas aquilo que “é suposto” que façamos, aquilo que se espera de nós. Nem sempre há espaço para a imaginação, para fazer aquilo que “não é suposto”, para o fruto proibido. É por isso que vale a pena lembrar:

A imaginação é a base do erotismo.

Qualquer um de nós pode fazer amor durante horas e sentir muito prazer mesmo sem tocar em ninguém. Como? Graças à imaginação. Os animais fazem sexo mas o ser humano é o único que associa o erotismo à sexualidade. Quem é que nunca sentiu prazer com um beijo mesmo antes de o dar?

O que é que isto significa? Que precisamos de nos ligar à nossa própria imaginação para sentirmos desejo. E que quando abandonamos a nossa imaginação, é meio caminho para que as coisas corram mal.

Quando o sexo começa a arrefecer, o mais fácil é apontar o dedo à pessoa que está ao nosso lado, acusando-a de não estar a fazer o suficiente para que nós a desejemos.


E qual é a nossa própria responsabilidade? Que escolhas fazemos e que minam qualquer possibilidade de continuarmos a desejar o nosso companheiro? Que escolhas aumentam o nosso desejo?

O QUE É QUE APAGA O DESEJO?


Para cada um de nós, há comportamentos e situações que pura e simplesmente nos tiram o desejo – seja por quem for. Tem consciência dos momentos em que – para si - é praticamente impossível sentir desejo? Veja se se identifica com estas situações:



 Eu não consigo sentir desejo quando…


estou a responder a e-mails.
me meto em mil obrigações e deixo de ter tempo para mim.
me preocupo com os miúdos ou com o dinheiro. 
me sinto gordo(a).
vejo as notícias à noite.
tenho muitas preocupações.
discuto.



Estas são respostas comuns a muitas outras pessoas. Compete-lhe a si reconhecer todas as situações em que o SEU desejo se apaga. Se a única altura do dia em que pode namorar é ao fim da noite, depois de as crianças se deitarem, talvez não seja boa ideia deixar para essa hora todas as tarefas que fazem com que a sua chama se apague.

Nestas alturas o seu companheiro pode inventar tudo porque não vai funcionar. A sua cabeça não está lá.

O QUE É QUE FAZ AUMENTAR O DESEJO?


Ainda mais importante do que este reconhecimento, é a identificação daquilo que o(a) faz sentir vivo(a), daquilo que aumenta o seu desejo.



Eu ligo o meu desejo e sinto-me vivo(a) quando…

danço.
oiço música.
saio com amigos falo com os meus ex.
sei que não há ameaças.
sei que não vou ser julgado(a).
vejo outros casais apaixonados.
vejo pornografia.



Algumas pessoas precisam sobretudo de se sentir seguras, livres de preocupações e ameaças para que possam conectar-se à sua própria imaginação. Outras precisarão de relaxar através de atividades que lhes permitam desligar-se completamente das preocupações, das rotinas e das obrigações. O importante é que cada um de nós possa conhecer-se suficientemente bem e fazer escolhas que conscientemente nos ajudem a manter a chama acesa.

O QUE É QUE AUMENTA A ATRAÇÃO PELA PESSOA QUE ESTÁ AO NOSSO LADO?


Talvez não nos demos conta mas há muitas situações que alteram – pela positiva – a forma como olhamos para a pessoa que amamos. Porque uma coisa é amá-la profundamente e outra, bem diferente, é continuar a desejá-la. Perdi a conta ao número de casais que me disseram que se amavam mas que a partir de determinada altura passaram a olhar um para o outro como amigos. O que é que o(a) faz sentir-se mais atraído(a) pelo seu companheiro?




Sinto-me mais atraído(a) pelo meu companheiro
quando…

me sinto confiante.
ele(a) fala com outras pessoas e elas mostram admiração.
ele(a) se sente bem consigo mesmo(a).
ele brinca com os miúdos.
[São sobretudo as mulheres que fazem esta afirmação]
ele(a) se vai embora.
ele(a) faz alguma coisa que o apaixona.





Se houver espaço para a individualidade de cada um e, sobretudo, para que cada um possa perseguir os próprios gostos e sonhos, é mais provável que haja níveis mais elevados de admiração mútua, doses saudáveis de mistério e a sensação (agradável) de que nada está garantido.

Às vezes, o mistério é apenas a possibilidade de olharmos para a pessoa que está ao nosso lado de um ponto de vista diferente – quando ele(a) fala com outras pessoas, por exemplo. Não são ciúmes. O que acontece é que quando ele(a) fala com outras pessoas, e quando estas têm a possibilidade de o(a) admirar em alguma medida, aquela pessoa deixa de ser “nossa” momentaneamente e isso potencia o desejo.

Cada um de nós precisa da segurança de um vínculo seguro – e isso consegue-se à custa de níveis elevados de intimidade emocional – mas também da curiosidade contínua que nos permita continuar a sentir desejo. Quando deixa de haver o que explorar na pessoa que está ao nosso lado, o desejo diminui.

Na prática, ninguém é verdadeiramente nosso e amar é lidar com a vulnerabilidade do amor, que é o risco da perda. É preciso alguma incerteza para haver curiosidade. É preciso novidade, mistério, é preciso que, de alguma maneira, não saibamos tudo o que vai acontecer, não tenhamos tudo controlado. Infelizmente, algumas pessoas sentem-se tão ansiosas com qualquer grau de incerteza que preferem “agarrar-se” a um compromisso totalmente previsível e abdicar do erotismo e do desejo. Mas abdicar disso é abdicar de uma parte importante de si mesmas.
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