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7.4.10

BANDA GÁSTRICA E PROBLEMAS PSICOLÓGICOS

Só quem nunca conheceu uma pessoa com excesso de peso poderá considerar que as questões relacionadas com processos de emagrecimento dizem respeito apenas à saúde física. De um modo geral, as pessoas que querem emagrecer enfrentam uma luta dura, difícil, marcada por muitos obstáculos, mas nem sempre são compreendidas por familiares e amigos.

Para além da fisiologia específica de cada um, existem factores psicossociais que contribuem para que um processo de emagrecimento seja quase sempre difícil. Antes de mais, falar-se de alimentação é, também, falar-se de convívio social e familiar, pelo que quando alguém inicia uma dieta precisa de contar com o apoio, o rigor e o incentivo daqueles que lhe são próximos. Depois, importa reconhecer que a alimentação é muitas vezes usada como mecanismo de defesa na gestão emocional. Não raras vezes, as pessoas obesas assumem que o seu comportamento alimentar traduz a inexistência de competências sociais para lidar com a tristeza e a ansiedade.

Não sendo fácil manter as dietas e as prescrições médicas, há cada vez mais pessoas que recorrem a medidas drásticas para lidar com o problema do excesso de peso. A cirurgia de colocação da banda gástrica é uma dessas medidas, mas não está imune a desvantagens do ponto de vista emocional. Ao contrário do que seria expectável, as pessoas que passam por esta intervenção para perder peso arriscam-se a quebras significativas da sua auto-estima, problemas relacionais e até a sentir-se insatisfeitas com a sua imagem corporal.

Apesar de haver um impacto muito positivo em termos da saúde física destes pacientes – como a redução dos níveis de glicose, dos níveis de colesterol e da tensão arterial – existem riscos do ponto de vista psicológico.

A maior parte destas pessoas acaba por assumir que a cirurgia é um processo tão duro quanto a manutenção de uma dieta. Nenhuma intervenção cirúrgica está livre de riscos e esta é uma opção que deve dar resposta sobretudo aos casos de obesidade mais acentuada. Mais: o facto de a alimentação deixar de funcionar como uma estratégia para lidar com os problemas, é uma mudança perturbadora.

Não sendo, de todo, uma “via fácil” para perder peso, as pessoas que recorrem a esta ajuda devem ser acompanhadas também a nível psicológico, para que se sintam aptas a enfrentar os obstáculos concretos que resultam da intervenção cirúrgica.


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