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13.7.10

VIVER COM MEDO OU MEDO DE VIVER?

Independentemente do lema de vida de cada pessoa, todos nós ambicionamos ser felizes. Claro que aquilo que me faz feliz pode não ser exactamente aquilo que fará o leitor feliz. Os sonhos de cada pessoa são únicos, especiais. No entanto, algumas pessoas parecem conformar-se com a ideia de que é impossível serem felizes. Resignam-se perante escolhas mal sucedidas, cedem ao medo de arriscar, escondem-se na sua zona de conforto. Viverão? Ou sobreviverão? Repito muitas vezes em sede de terapia que “Viver com medo não é viver. É sobreviver”. Viver implica correr riscos, sim. Implica a possibilidade de nos expormos à rejeição e à perda mas implica sobretudo a possibilidade de experienciarmos emoções positivas muito intensas e isso é o que dá cor à vida de cada um, independentemente do percurso que se faça.

Quanto mais intensas forem as emoções por que passarmos (positivas ou negativas), maior será a probabilidade de nos sentirmos desorientados ou até mesmo descontrolados. Perder alguém de quem gostamos de forma repentina ou passar por uma multiplicidade de perdas significativas podem deixar-nos abatidos, prostrados. Níveis intensos de stress causam-nos cansaço e dão-nos vontade de fugir. Mas valerá a pena fugir destas emoções intensas?

Quando queremos uma vida “em paz” e tentamos fugir à turbulência das emoções fortes corremos sobretudo o risco de limitar a nossa experiência de vida. Evitar situações que, aos nossos olhos, possam expor-nos à rejeição ou à perda acaba por conduzir-nos precisamente à rejeição ou à perda. Quando uma pessoa proíbe a si mesma determinadas experiências porque tem medo de voltar a sofrer, espera que o seu medo possa diminuir com a passagem do tempo mas, na realidade, esta evitação mantém o medo presente. Qualquer que seja a perda ou a rejeição por que tenhamos passado antes, não há por que olhar para as novas experiências com medo. Nem todas as novas situações nos conduzirão a níveis de stress e de ansiedade como aqueles por que passámos antes mas a única forma de confirmar que o nosso medo é irracional e prejudicial é sair da zona de conforto e arriscar.

A Maria cresceu num lar marcado pela infidelidade – a mãe traíra o seu pai repetidas vezes e estes episódios marcaram a forma como olha para as relações amorosas. Depois de alguns relacionamentos curtos, marcados pela evitação de intimidade, conheceu um homem por quem se apaixonou, em quem confiou e com quem casou. Infelizmente, o marido traiu-a, acabando por alimentar a sua crença de que “não podemos confiar em ninguém”. Sentiu-se novamente rejeitada. Mais do que nunca, decidiu então que deveria ser muito cuidadosa em relação ao amor romântico. Quis proteger-se, defender-se da possibilidade de voltar a sofrer de forma tão intensa – o que faz todo o sentido. De resto, o medo é, até certo ponto, saudável porque nos impede de correr riscos desnecessários. Mas para que a Maria possa ser verdadeiramente feliz e possa “sugar” a vida, terá de voltar a correr riscos, terá de voltar a apostar. Se continuar apenas a circular entre o trabalho, a sua casa e alguns encontros com os amigos, impedindo-se a si mesma de conhecer pessoas novas e de se envolver em termos românticos, não correrá o risco de voltar a magoar-se. Mas também não encontrará a pessoa com quem possa reconstruir o sonho de formar uma família. Nem todas as pessoas precisam de constituir família para serem felizes, mas a Maria precisa.

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