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20.10.10

A MENTIRA NO AMOR

O início de uma relação amorosa é marcado pela paixão, que quase sempre nos tolda a percepção, incapacitando-nos de olhar para a pessoa amada com discernimento e objectividade. Mesmo que não possamos falar de amor à primeira vista, a generalidade das pessoas são capazes de se encantar rapidamente por alguém por quem se sintam atraídas, sucumbindo assim a uma certa “cegueira”. Se é verdade que na maior parte dos amores a exacerbação das qualidades e a desvalorização dos defeitos e das falhas não representa propriamente um problema, constituindo apenas uma das fases mais intensas da relação, importa reconhecer que nalguns casos a fascinação implica riscos.

Algumas pessoas mentem desde o início da relação. Fazem-no pelas mais diversas razões e podem arrastar a pessoa amada para uma situação de vulnerabilidade e desapontamento que deixa marcas. Uns mentem porque sentem a necessidade de manter uma vida secreta/ paralela. Algumas pessoas mentem porque são paranóicas e não conseguem confiar a verdade a ninguém. Outros mentem porque são sociopatas incapazes de ser honestos. Outros ocultam segredos horríveis do seu passado. Há mil e uma razões.

A passagem do tempo é determinante para que os sinais sejam reconhecidos, para que as “pontas soltas” se unam e a ilusão dê lugar ao discernimento. Se no princípio os elevados níveis de endorfinas podem facilitar a aceitação de que o outro esteja permanentemente com o telemóvel desligado ou permitir que uma “mentirinha” seja explicável com uma justificação barata, a colecção de situações estranhas fará com que, mais cedo ou mais tarde, o alarme interno da pessoa que está a ser enganada soe e a hipervigilância se instale. A partir do momento em que alguém desconfia do(a) namorado(a), manter-se-á especialmente atento(a) a qualquer escorregadela e adoptará comportamentos à detective que permitirão aceder à verdade.

Ainda que a dor associada ao confronto com a mentira seja avassaladora e possa condicionar a forma como a pessoa traída olha para as relações amorosas, é preferível que este desencanto surja numa fase inicial. Descobrir um rol de mentiras numa fase posterior ao enamoramento implica uma frustração maior e o risco acrescido de aparecimento de uma depressão reactiva, por exemplo.

Para que possamos avaliar se aquele(a) por quem nos apaixonámos é “a pessoa certa”, é preciso permitir que o tempo passe e que a euforia dê lugar ao discernimento e à capacidade para olhar para a realidade de uma forma mais objectiva.

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