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13.12.10

VIOLÊNCIA EMOCIONAL NO AMOR

O meu trabalho em Psicologia Clínica inclui frequentes pedidos de ajuda que envolvem repetidas situações de humilhação. Visto de fora, fica claro que uma mulher que insista em relacionar-se com um homem que lhe é infiel estará a colocar-se à mercê de episódios que comprometerão a sua auto-estima. Um homem que se “cola” a uma mulher que dá provas de que não o quer corre o risco de jamais ser feliz. Estes são apenas dois exemplos de sofrimento continuado aliado a uma aparente incapacidade para romper com relações destrutivas. O que impede que estas pessoas dêem passos no sentido de se livrarem destes ciclos viciosos e, assim, lutarem por aquilo que merecem? Por que não dão ouvidos a familiares e amigos que insistentemente chamam a sua atenção para o problema? O que as mantém presas a relacionamentos pobres?

A prática clínica permite-me assegurar que na generalidade destes casos a pessoa envolvida tem alguma propensão para os abusos emocionais. Não é que a pessoa não perceba que está a ser vítima de humilhação. O que acontece é que esta percepção não é acompanhada da força necessária para actuar. Nalguns casos a existência de filhos menores compromete a tomada de decisões mas a verdade é que a manutenção destas relações acaba por ser negativa para toda a família.

Existem alguns transtornos de personalidade que podem estar na origem desta aparente fixação em relações carregadas de tormento. Estes transtornos têm em comum o facto de a pessoa se envolver repetidamente em padrões relacionais destrutivos. Só um psicólogo clínico poderá realizar um diagnóstico rigoroso e, em função disso, elaborar um plano terapêutico ajustado. Cada caso é único e implica vivências específicas mas a experiência mostra-me que, de um modo geral, estes transtornos resultam de dinâmicas familiares disfuncionais que remontam à infância e que estão tão enraizadas que comprometem a capacidade para fazer escolhas emocionalmente inteligentes na idade adulta.

Aquando do pedido de ajuda a pessoa assume quase sempre que está cansada de viver “assim” e que a violência emocional está a destruí-la, mas isso não significa que seja fácil aprender novos e mais eficazes comportamentos. No entanto, esta é, provavelmente, a via mais célere para que esta aprendizagem dê lugar à concretização de um objectivo comum: ser feliz sem humilhações.
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