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21.2.14

PELA SUA SAÚDE, FRUSTRE-SE


Sempre que reclamo a propósito do mau tempo, o meu marido lembra-me, de forma prática e assertiva que “estamos no inverno, é natural que chova”. É verdade que somos invariavelmente mais felizes quando somos brindados com dias de sol. O fenómeno também se prende com questões fisiológicas (mais sol equivale a maior produção de vitamina D, que, por sua vez, equivale a elevação do nosso humor). Mas seria pouco inteligente fazermos depender o nosso bem-estar das condições climatéricas. Em primeiro lugar, porque o estado do tempo é uma das muitas coisas que não controlamos. E depois porque, faça chuva ou faça sol, vamos sempre a tempo de refazer planos e divertir-nos.

Infelizmente, algumas pessoas falham nestas duas competências: têm dificuldade em aceitar que há coisas que escapam ao seu controlo e, quando veem as suas expetativas contrariadas, não conseguem pensar num plano B. Ou num plano C. Ou seja, têm dificuldade em lidar com a frustração. Então, dão por si deprimidas – sim, deprimidas! – porque planearam durante meses uma viagem e, naquele dia, está um dia cinzento. Ou porque não conseguiram aquela vaga profissional por que batalharam. Ou porque a pessoa que amam não é, afinal, o príncipe idealizado. Mas muito pior do que isso, algumas pessoas têm seríssimas dificuldades em permitir que os seus filhos se frustrem. O bebé chora porque o irmão lhe retirou o brinquedo das mãos? Compra-se outro brinquedo. A criança faz birra porque quer ver mais uma hora de desenhos animados? Seja feita a sua vontade! O adolescente amua porque tooooodos os seus colegas têm um iPhone? Compra-se um iPhone, mesmo que isso implique o pagamento de mais uma prestação num orçamento familiar engolido por créditos. Aquilo que é proibido e que nunca, nunca pode acontecer é dizer NÃO. Frustrar a criança. Porque parte o coração vê-la chorar. Porque é duro não a ver feliz.
Aquilo que estes pais e mães ignoram é que, mais cedo ou mais tarde, os filhos terão de ser contrariados. Pelos professores. Pelos amigos. Pelas entidades empregadoras. Ou pelo estado do tempo. E, na medida em que sejam educados numa espécie de bolha que os priva de ouvir alguns NÃOS, ser-lhes-á praticamente impossível desenvolver as competências necessárias para lidar com a frustração. E o que é que isso quer dizer? Que se sentirão enganados, traídos e desamparados quando descobrirem que, afinal, o mundo é feito de contrariedades, de obstáculos, de NÃOS. Sentir-se-ão bloqueados de cada vez que as suas expetativas esbarrarem numa qualquer adversidade. Em vez de aceitarem a realidade e arregaçarem as mangas em busca de outro caminho que lhes permita lutar pela felicidade, congelarão. Sentir-se-ão perdidos, deprimidos, ansiosos.


Então, pela sua saúde, frustre-se. Aceite as adversidades. Aceite que nem todos os seus desejos podem ser concretizados. Permita que a vida dê a volta aos seus planos. Não esmoreça. Ponha de pé o plano B. Vá até ao plano Z, se for preciso. E seja o melhor exemplo de vida para os seus filhos.
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