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20.2.14

VOCÊ CONHECE-SE BEM?


Chegou ao meu consultório e queixou-se “Eu não sei se gosto do meu namorado…”. Mas, lá no fundo, ela sabia.

O marido de uma amiga disse-lhe: “Não sei se sou capaz de enfrentar o meu chefe”. Mas ele sabe.

Sentia-se inquieta, nervosa, antes de do encontro marcado com a amiga que não via há mais de 5 anos. E pensou “Não sei por que estou assim”. Mas sabia.

Nem sempre é fácil tomar decisões, fazer escolhas. Mas é infinitamente mais fácil quando estamos atentos aos sinais que o nosso corpo emite, àquilo que sentimos em cada situação. Porque as respostas a perguntas como “O que é que eu devo fazer?” estão quase sempre dentro de nós. É claro que nem todas as pessoas possuem um autoconhecimento suficientemente elevado ao ponto de saberem exatamente aquilo que é mais ajustado num dado momento. Nem todos tiveram o privilégio de serem educados de forma a olhar com atenção para as próprias emoções e isso requer treino. Mas é possível recuperar o tempo perdido. E qualquer altura é uma boa altura para implementar mudanças que contribuam para o crescimento pessoal. Para a inteligência emocional.

Um dos exercícios que proponho com regularidade, quer em terapia individual, quer em terapia familiar, implica a monitorização diária das próprias emoções. Pelo menos, das mais relevantes. E é curioso como tudo pode mudar quando estamos mais atentos àquilo que sentimos. Quando damos um nome a esses estados emocionais. E quando os associamos a acontecimentos específicos. Essa tomada de consciência é uma espécie de caixa de ferramentas que podemos utilizar no sentido de aprendermos a fazer as tais escolhas difíceis. E quanto mais treinamos, mais aprendemos sobre nós mesmos, sobre as nossas vulnerabilidades, os nossos limites e o nosso potencial. E, então, as escolhas difíceis tornam-se mais claras. Não necessariamente mais fáceis. Mas mais claras.


Passamos a escolher em função da felicidade e do bem-estar. Escolhemos aquilo que, sabemos, vai contribuir para que sejamos mais felizes. Mesmo que, no imediato, nos faça sofrer. Ou implique o sofrimento de outros. Porque, no fundo, nós sabemos sempre se gostamos ou não da pessoa que está ao nosso lado. Nós sabemos exatamente o que é que somos capazes de enfrentar em nome do que nos faz felizes. Nós sabemos que há pessoas que (já) não merecem o nosso esforço. Nós sabemos. Sempre.
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