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22.10.14

SEXO NA GRAVIDEZ


Tenho medo de fazer mal ao bebé. Medo que o sexo lhe provoque alguma malformação. O problema é que ela acha que eu deixei de gostar dela. É verdade que está mais gorda - muito mais gorda - mas não é isso que me afeta. É o bebé. O medo de fazer mal ao bebé.

Já perdi a conta ao número de vezes que ouvi palavras como estas. São quase sempre histórias de pessoas teoricamente bem informadas e tidas como inteligentes.


O medo está muitas vezes associado a pensamentos irracionais. Quando nos convencemos de que o perigo é real, há, pelo menos, dois caminhos: partilhar aquilo que sentimos com quem está à nossa volta ou tentar gerir tudo a sós. O problema do isolamento é que permite que o nosso cérebro divague, que fantasie à volta daquilo que nos assusta e transforme uma aflição num bloqueio. Pelo contrário, a partilha dos nossos medos representa quase sempre um apelo, um pedido de conforto e, claro, a oportunidade de substituir todos os pensamentos irracionais por informações claras e precisas que nos permitam fazer escolhas emocionalmente inteligentes.

Mas quando um homem guarda para si este medo, está longe, muito longe de se prejudicar apenas a si mesmo. O problema maior é para a relação. Porque o silêncio gera invariavelmente a sensação de desamparo e rejeição – Ele já não me ama!

É assim que facilmente se instala a distância emocional entre duas pessoas que deveriam estar mais unidas do que nunca. Como o período que se segue tem tanto de mágico como de tumultuoso, é fácil cair-se na tentação de ir empurrando o assunto “com a barriga”, que é como quem diz: no meio de tudo o que há para fazer depois do nascimento do bebé, o sexo pode ficar para último plano.

É normal que haja diminuição do desejo sexual durante a gravidez. Pelo menos, para alguns homens (e para algumas mulheres). Mas não é saudável que se fuja ao assunto e que se procure gerir a questão sem falar abertamente sobre o que cada um sente. É que quando um se expõe, dá oportunidade ao outro para acolher esse apelo.



Afinal, da mesma maneira que há homens que continuam a desejar as suas mulheres à medida que o corpo se transforma, há outros que – sem que haja medos irracionais associados – sentem repulsa. E não é mesmo nada fácil dizer “não sinto desejo por ti assim”. Mas a verdade é que todos os sentimentos são legítimos e, na medida em que as emoções sejam verbalizadas, é muito mais provável que os membros do casal encarem estas dificuldades como normais e transitórias
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