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24.2.15

“SOBREVIVER” AO NASCIMENTO DO PRIMEIRO FILHO


São as noites mal dormidas. É a casa sempre de pantanas. É o dinheiro que se evapora. E um bebé – lindo e fofo – que chora por tudo e por nada e que exacerba a sensação de que tudo está fora de controlo. A etapa mais desejada pela maior parte dos casais é também uma das mais desafiantes. Quando nasce o primeiro filho muda tudo e, muitas vezes, não é fácil lidar com todas as mudanças ao mesmo tempo. Até os casais mais unidos podem sentir dificuldades sérias. Até esses podem sentir-se momentaneamente desconectados.

Alguns vão permitindo que as mágoas deem lugar a ciclos viciosos marcados por muitas críticas, muitos ataques e muitos amuos. É quase sempre assim: quando a aflição toma conta do casal, há muitas reclamações, muitas discussões e pouco ou nenhum tempo para alimentar a relação. Mas também há casais que ‘acordam’ a tempo, que procuram travar a escalada e que, gradualmente, recuperam a conexão. Não são super-homens nem supermulheres. Não têm enfermeiras a tempo inteiro nem um batalhão de empregados. Muitas vezes nem sequer têm o bebé mais calmo do mundo.

Há ferramentas que estão ao alcance de todos e que podem alimentar o amor romântico e a sensação de que a pessoa que está ao nosso lado, não sendo perfeita, é “a tal”:

ENVOLVER O PAI NOS CUIDADOS AO BEBÉ.

Não há volta a dar: quanto maior for a participação do pai logo no início, maior é a probabilidade de os membros do casal sentirem que estão realmente juntos neste desafio. Algumas mães enfrentam alguma dificuldade em delegar, em dar espaço para que o pai intervenha. É normal. Sim, a sensação de ‘posse’ também é normal. Mas é preciso fazer um esforço e permitir que ambos aprendam com os erros e ganhem confiança. Quando o pai e a mãe se revezam na tentativa de acalmar o bebé ou nas mudas de fraldas, não estão só a adquirir competências como pais. Estão a trabalhar em equipa, estão a dizer um ao outro “Gosto de ti”.

RESOLVER OS CONFLITOS LONGE DA CRIANÇA E DE FORMA CONSTRUTIVA.

Os conflitos são inevitáveis. Há bebés extraordinariamente calmos que não provocam grandes alterações às rotinas do casal. Mas são exceções. Quase todos os casais acabam por discutir, às vezes de forma séria. Isso não é dramático; faz parte do crescimento do casal. Mas hoje sabe-se que as discussões têm um impacto no desenvolvimento neurológico dos bebés. Quando os membros do casal se esforçam para baixar o tom de voz ou se retiram do quarto (ou da sala) para que a discussão não afete o seu bebé, não estão só a cuidar do filho. Também estão a trabalhar em equipa em nome de um objetivo comum. E isso permite que se sintam mais unidos, apesar das dificuldades.

INVESTIR NA INTIMIDADE, INVESTIR NO NAMORO, INVESTIR NA SEXUALIDADE.

Qualquer pessoa pode queixar-se de exaustão nas primeiras semanas depois do nascimento de um bebé. É normal que esse cansaço roube a energia a que ambos estavam habituados. É natural que a vontade de fazer amor diminua drasticamente. Mas é fundamental que nenhum dos membros do casal se sinta ‘abandonado’.


O cansaço não deve ser desculpa para a inexistência de gestos de afeto. É preciso continuar a dar de si, continuar a dizer, através do toque, “Gosto de ti”. É preciso recuperar rotinas que permitam voltar a namorar.

PROCURAR INFORMAÇÕES SOBRE BEBÉS/ CRIANÇAS.

Os bebés não trazem livros de instruções. Além disso, aquilo que funciona com um pode não funcionar com o outro. Mas isso não significa que os membros do casal devam ‘esperar para ver’ como será o seu bebé. Os cursos de preparação para o parto são uma excelente forma de envolver os membros do casal neste desafio. Conversar com amigos que tenham sido pais há pouco tempo e adquirir livros ou revistas da especialidade são também oportunidades para que ambos possam familiarizar-se com os desafios que terão pela frente. Depois do nascimento todas as dúvidas se multiplicam e é fundamental que ambos assumam uma postura tolerante em relação à falta de conhecimento. Colocar as perguntas mais estapafúrdias do mundo ao pediatra (ou a outros técnicos de saúde), pedir uma segunda opinião e continuar a ler sobre o assunto não são sinais de fragilidade. São sinais de que os pais estão a querer ser (ainda) melhores pais.
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