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26.9.16

PEQUENAS TRAIÇÕES QUE PODEM DESTRUIR UMA RELAÇÃO


Quando falamos de traição, pensamos (todos) automaticamente em infidelidade, em relações extraconjugais. Mas no dia-a-dia de qualquer relação amorosa há acontecimentos que podem minar a felicidade do casal e cujo impacto pode ser tão destruidor como o de um affair. Enquanto terapeuta conjugal, lido todos os dias com estas formas de traição e posso afirmar que em alguns casos o sofrimento que elas provocam é tão avassalador que pode dar origem à rutura. Ao contrário do que se possa pensar, nem todos os casamentos terminam por causa de uma terceira pessoa.

Muitas vezes, a pessoa que está a trair a confiança do parceiro desvaloriza as queixas e faz comentários do tipo «Isto não é assim tão grave». Esta desvalorização é extremamente arriscada porque, como costumo dizer, por detrás de cada queixa há uma oportunidade de o casal se reaproximar. Quando um se queixa e vê o seu apelo ser ignorado, aquela oportunidade transforma-se num momento de desconexão e desamparo.

Eis três exemplos concretos do que pode ser sentido como uma traição ao compromisso a dois:

INFIDELIDADE EMOCIONAL

Sempre que um dos membros do casal dá mais importância a uma pessoa fora da relação, colocando os seus interesses sistematicamente à frente dos do companheiro, e/ou trata essa pessoa de forma mais especial, está a trair o seu compromisso.



Isso não significa que vivam exclusivamente para o relacionamento. Têm amigos, carreiras profissionais, hobbies e outras relações que acarinham. Mas o companheiro é tratado de forma especial – quer sob a forma de gestos e palavras de afeto, quer sob a forma da atenção que um presta ao outro.

Quando uma pessoa passa a tratar um colega ou amigo de forma mais especial, canalizando para essa relação a maior parte da sua atenção, do seu tempo e da sua disponibilidade, é possível que esteja a trair o companheiro. Se alguns destes comportamentos ocorrerem às escondidas do parceiro, estamos claramente perante uma situação de infidelidade emocional.

Alguns sinais de que você possa estar a ser emocionalmente infiel (mesmo que não se tenha dado conta disso):

  • Oculta alguns acontecimentos ao seu cônjuge (conversas, mensagens via Facebook ou telemóvel).
  • Responde às queixas do seu companheiro com comentários do tipo «Não tens nada a ver com isso» ou «Não tens nada com que te preocupar».
  • O seu parceiro pediu-lhe para terminar essa relação e você disse que não o faria.
  • Há muitas discussões (de casal) sobre essa pessoa.


MEIO COMPROMISSO



Nestes casos é usual que a pessoa que se sente traída evite abordar assuntos sensíveis com medo de perder o companheiro. Por exemplo, quando há um que quer ter filhos e o outro não assume claramente a sua posição, isso pode indiciar que haja um que está mais comprometido do que o outro. Não estou a referir-me àquelas pessoas que assumem que não gostariam de ter filhos. Estou, isso sim, a referir-me a todas as que não são capazes de assumir uma posição. A mensagem que conseguem transmitir é «Eu não sei se quero ter filhos NESTA relação».

Na prática, quando falamos de pessoas que não estão tão comprometidas quanto seria saudável, falamos de companheiros que se sentem constantemente desamparados. Muitas vezes isto acontece em relações em que teoricamente as pessoas já atingiram um nível de compromisso considerável (por exemplo, vivem juntas). No entanto, na prática, não há a sensação de que um está verdadeiramente lá para o outro e de que há um projeto a dois.

DESLIGAÇÃO

Estar numa relação é, sobretudo, saber que há alguém que se preocupa connosco e cujo mundo para quando precisamos que venha em nosso auxílio. Quando as necessidades afetivas de um são ignoradas ou desprezadas pelo outro, também é da sensação de traição e desamparo que falamos. Isto pode acontecer quando um dos membros do casal se recusa a acompanhar o outro a um funeral porque tem um compromisso profissional ou em situações banais do dia-a-dia em que há sempre qualquer coisa mais importante para fazer do que prestar atenção ao companheiro.


Há muitos instantes em que um precisa do outro e esse apoio não surge imediatamente. Mas são exceções. Quando uma pessoa dá por si a fazer balanços e chega à conclusão de que na maior parte das vezes em que precisou do companheiro ele não esteve “lá”, a relação pode estar com um problema sério.

SOLUÇÕES


Dar importância ao que a pessoa que está ao seu lado diz é sempre uma boa alternativa. Se o seu amor se queixa porque há demasiada intimidade na sua relação com aquele(a) colega, é porque provavelmente há mesmo. Se há assuntos sensíveis aos quais tem fugido para evitar problemas, o melhor é parar e enfrentar a realidade. Enganar-se a si mesmo e a pessoa que está ao seu lado não deveria ser opção. Se a pessoa com quem vive se queixa por não sentir o seu apoio, pare para prestar atenção. O assunto pode ser mais sério e mais profundo do que aparenta.
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