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21.6.17

COMO MANTER UMA RELAÇÃO À PROVA DO FACEBOOK


O Facebook está a prejudicar as relações amorosas? Há mais traições por causa desta rede social? Que regras devem ser adotadas para manter uma relação na era do Facebook? O que é que não devemos fazer (se quisermos manter a nossa relação)?

Quase todas as pessoas que conheço – pessoal ou profissionalmente – têm conta de Facebook. A rede social criada por Mark Zuckerberg passou a fazer parte das nossas conversas, dos nossos momentos de lazer e, em muitos casos, também passou a ser motivo de tensão. Mas será assim tão demoníaca? Trouxe, de facto, mais perigos para as relações amorosas? Ou trouxe, sobretudo, maior exposição sobre aquilo que já existia?

O FACEBOOK É BOM OU MAU PARA AS RELAÇÕES?

DEPENDE.

O Facebook não é mais do que um prolongamento da nossa vida social. Há pessoas que saem de casa todos os dias com genuína vontade de trabalhar e de socializar sem desrespeitar ou prejudicar a pessoa de quem gostam. E também há quem tire a aliança do dedo mal se despeça do companheiro com o intuito de flirtar com outras pessoas. Foi sempre assim – muito antes de haver Facebook.
Há quem esteja diariamente no Facebook consciente de que há escolhas que poderiam prejudicar a pessoa amada e há quem nunca tenha gasto um minuto a pensar nisso. De uma maneira geral, quando prestamos (mesmo) atenção àquilo que a pessoa de quem gostamos sente, quando nos preocupamos com ela, acabamos por fazer escolhas que protegem a relação.

HÁ MAIS TRAIÇÕES POR CAUSA DESTA REDE SOCIAL?

SIM.

Da mesma maneira que há maior probabilidade de alguém ser infiel quando trabalha fora de casa e conhece outras pessoas. Se há algo que o Facebook trouxe foi a possibilidade de estarmos emocionalmente mais próximos de uma série de pessoas – ex-colegas, ex-vizinhos, ex-paixonetas, amigos de infância, amigos-dos-amigos ou meros desconhecidos. Este acesso fácil a tanta gente também tem favorecido os encontros românticos e as traições.



QUE REGRAS DEVEM SER ADOTADAS PARA MANTER UMA RELAÇÃO NA ERA DO FACEBOOK?

DEPENDE.

As regras devem ser construídas a dois. Há casais que só saem à noite juntos. Há casais que saem regularmente só com amigos. Há casais que nunca saem à noite. Aquilo que funciona para um casal, pode não ser ajustado para outro. Para que duas pessoas sejam felizes juntas é preciso que se exponham, que conversem serena e francamente sobre aquilo de que cada uma precisa. E é exatamente isso que deveria acontecer a propósito do Facebook.

É SAUDÁVEL CONTINUAR A SER AMIGO DO EX NO FACEBOOK?

DEPENDE.

Se houver uma relação fora do Facebook, parece-me que fará todo o sentido que a amizade se estenda a esta rede social. Se não houver qualquer ligação, talvez valha a pena questionar-se: Por que continuo a seguir aquela pessoa? Com que propósito? Que impacto é que isso tem na minha relação atual? Como é que o meu companheiro se sente em relação a esta escolha? Como em quase tudo o que diga respeito ao amor, o que importa é conversar abertamente e ser capaz de valorizar (mesmo) aquilo que a pessoa de quem gosta sente.

É SAUDÁVEL DESABAFAR SOBRE A RELAÇÃO NO FACEBOOK?

NÃO.

Consigo empatizar com a aflição que alguém sente quando as coisas correm mal na relação conjugal. Pode ser desesperante e é legítimo que haja muita vontade de desabafar e receber colo. Mas é preferível fazê-lo em privado e com alguém que genuinamente esteja disponível para ouvir e amparar. Os gostos e os comentários de “apoio” podem dar origem a algum conforto no imediato mas não compensam os prejuízos a que esta exposição está associada.



É, sobretudo, uma questão de (des)respeito. Há limites que não devem mesmo ser ultrapassados – para não humilhar, para não magoar de forma definitiva a pessoa que está ao nosso lado.

É SAUDÁVEL FAZER DECLARAÇÕES DE AMOR NO FACEBOOK?

DEPENDE.

Não há gesto mais romântico do que ir ao encontro da vontade da pessoa de quem se gosta. Que sentido fará oferecer um ramo de rosas vermelhas a alguém que não goste que as flores sejam arrancadas das respetivas raízes? Mostrar publicamente o seu afeto só fará sentido se a pessoa de quem gosta se sentir confortável com essa exposição. Por outro lado, é fundamental que uma declaração de amor seja, acima de tudo, genuína. A bajulação e a tentativa de mostrar aos outros que tem uma relação perfeita são formas de desviar a atenção do que é verdadeiramente importante.

É SAUDÁVEL REVELAR A PASSWORD AO COMPANHEIRO?

DEPENDE.

Há casais que só têm uma conta bancária. E há casais que não têm uma conta conjunta nem os códigos de acesso à conta do cônjuge. É possível ser feliz de muitas maneiras. Cada pessoa tem o direito à sua privacidade, à sua individualidade e, à partida, a password do Facebook não acrescenta nada à felicidade conjugal. MAS há situações que podem ser geradoras de dúvida, ansiedade, insegurança. Nesses casos, aquilo que deveria sobressair é a GENUÍNA preocupação com os sentimentos do cônjuge.



Isso pode passar por escancarar a conta de Facebook com o propósito de recuperar a confiança.

É SAUDÁVEL FLIRTAR NO FACEBOOK?

NÃO.

Quanto maior for a nossa consciência a propósito dos nossos sentimentos, dos sentimentos da pessoa de quem gostamos e dos riscos associados a cada comportamento, maior é a probabilidade de fazermos as escolhas que protejam a nossa relação. Sempre que alguém opte por galantear outras pessoas (no Facebook ou cá fora) com o objetivo de obter a gratificação imediata dos jogos de sedução ou com vontade de materializar uma relação extraconjugal, é de uma quebra de confiança que estamos a falar. Conversar às escondidas com outras pessoas pode parecer uma escolha inofensiva mas é quase sempre uma forma de infidelidade emocional.

É SAUDÁVEL PASSAR O SERÃO A OLHAR PARA O FACEBOOK?

DEPENDE.


A maioria das pessoas que conheço precisam de “limpar a cabeça” de um dia de trabalho através de atividades que distraiam e reduzam o stress. Para muitos, a televisão cumpre esse propósito. Para outros, é o Facebook. Não há nada de errado em passar algum tempo ligado a esta rede social, mesmo que o seu companheiro esteja ao seu lado. Aquilo que não é saudável é que isso aconteça SEMPRE e que não haja aquilo a que chamo de rituais românticos. É fundamental que diariamente haja tempo e disponibilidade para conversar, para saber sobre o dia da pessoa de quem gostamos e para FAZER ATIVIDADES A DOIS. 
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