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20.3.18

ACABAR UMA RELAÇÃO QUANDO AINDA HÁ AMOR DO OUTRO LADO


Todos sabemos que há cada vez mais divórcios e que todas as relações têm altos e baixos mas, de uma maneira geral, acreditamos que a nossa relação possa durar para sempre e damos o nosso melhor no sentido de valorizar o que há de positivo e tentar ignorar os aspetos negativos. Mas as coisas nem sempre correm como planeamos e os sentimentos que um dia foram intensos podem dissipar-se e dar lugar à certeza de que aquela relação já não nos faz felizes.

A maior parte das pessoas que estão numa relação de compromisso não terminam a relação de um dia para o outro. Na maior parte dos casos, tentam quase tudo, na esperança de reacender a chama. Quando ambos reconhecem que o amor acabou – e que já não são felizes juntos – a relação pode terminar de forma serena e os membros do casal até podem ser capazes de continuar a relacionar-se como amigos. Mas quando um dos membros do casal percebe que já não consegue ser feliz na relação e do outro lado ainda há amor, tudo se torna mais difícil.



Há muitas pessoas que me pedem ajuda porque não estão a ser capazes de lidar com os sentimentos de culpa e de tristeza associados à possibilidade de causar sofrimento ao companheiro. Procuram a terapia para obter alguma orientação que as ajude a gerir a situação da forma mais serena que for possível. Querem terminar a relação reduzindo ao mínimo o sofrimento do companheiro e procuram respostas para uma rutura marcada pelo respeito.

Ninguém está à espera de ser abandonado pela pessoa que ama. Mas também ninguém está propriamente a contar com a possibilidade de abandonar a pessoa que um dia amou intensamente. A verdade é que as relações amorosas enfrentam cada vez mais desafios e os sentimentos podem mudar de forma muito significativa – quase sempre de forma gradual mas muitas vezes de forma irreversível.

O QUE FAZER QUANDO O AMOR ACABA?


Por mais voltas que a vida dê, depois de todos os avanços e recuos, e apesar de todos os medos e sentimentos de culpa, há um momento em que a pessoa que já não ama precisa de deitar cá para fora a sua verdade. Como pode fazê-lo de forma digna?

1. PRESTE ATENÇÃO AOS SEUS SENTIMENTOS


Olhe para trás e procure perceber se este é um padrão na sua vida. É usual entregar-se por inteiro às suas relações e continuar comprometido(a) mesmo quando os seus sentimentos mudam? Tem sido comum manter-se em relações (mesmo que não sejam amorosas) desrespeitando a sua vontade?



É importante que faça esta autoanálise. Por si, em nome do seu autoconhecimento e em busca da sua paz mas também para que possa assumir a sua responsabilidade no momento em que escolher conversar com o seu companheiro. É importante que seja capaz de explicar por que é que não foi capaz de enfrentar as dificuldades, gerir os conflitos ou verbalizar aquilo que lhe gerava mal-estar. A sua honestidade aumentará a probabilidade de o seu companheiro ser capaz de lidar com a rutura.

2. ASSUMA A RESPONSABILIDADE


Diga ao seu companheiro que precisa de conversar com ele e marque uma data. Assuma, com clareza e honestidade, o fim da relação bem como toda a sua responsabilidade por não ter sido capaz de falar sobre o que estava a sentir antes. Escancare o seu próprio sofrimento, mostrando como tem sido difícil para si lidar com os sentimentos de culpa. Mostre a sua empatia em relação à tristeza do seu companheiro de forma genuína.



3. OUÇA O SEU COMPANHEIRO


Não é fácil lidar com a surpresa, a tristeza, a mágoa ou a raiva de quem está do outro lado. O mais provável é que a pessoa que um dia amou – e que hoje está ferida – o(a) acuse, se volte contra si e lhe diga algumas coisas muito feias. É tentador responder à letra, fazer um braço-de-ferro. Foque-se na sua intenção (romper de forma digna) e faça tudo o que estiver ao seu alcance para respeitar o seu companheiro e não contra-atacar. Lembre-se de que ele(a) foi levado a crer que você ainda o(a) amava e é legítimo que se sinta enganado(a).

Algumas pessoas reagem com agressividade, dizendo à pessoa que quer terminar a relação para sair imediatamente de casa. Outras ligam aos familiares e amigos em busca de solidariedade e procurando voltá-los contra o companheiro. Há quem ameace fazer mal a si mesmo por não ser capaz de lidar com o fim da relação. Há quem faça interrogatórios e acusações. Há quem faça promessas na esperança de um retrocesso. Você conhece o seu companheiro – prepare-se para uma reação difícil. Procure ser firme e não faça promessas que sabe que não pode cumprir. Não vale a pena prolongar o sofrimento de ambos adiando uma decisão que você já tomou.

4. AJUDE O SEU COMPANHEIRO


Há muitas emoções para gerir. Há várias decisões a ser tomadas. Há demasiadas memórias para enfrentar. Independentemente de o seu companheiro lhe pedir para sair imediatamente ou para ficar em casa mais algum tempo, o mais provável é que ele(a) passe por vários momentos de tristeza, raiva, confusão e súplica.



Procure enfrentar tudo isto com coragem e genuína compaixão. Faça o que estiver o seu alcance para ajudar o seu companheiro respeitando SEMPRE os seus próprios sentimentos.

5. APRENDA O QUE PUDER


Olhe para o presente e para o passado da relação com genuína curiosidade e procure identificar as necessidades que foram ficando por preencher – quer as suas, quer as do seu companheiro. Repare naquilo que foi guardando para si. Que escolhas poderia ter feito no sentido de assumir uma postura de autenticidade e transparência? 

Comprometa-se consigo mesmo(a) no sentido de fazer algumas escolhas diferentes no futuro. Repare em tudo aquilo que está ao seu alcance no sentido de se revelar por inteiro numa relação e, assim, ser capaz de se sentir genuinamente apegado(a) a alguém.
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