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2.11.11

CRIANÇAS COM ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO

A ansiedade de separação pode ser definida como o nervosismo excessivo que a criança evidencia quando antecipa que terá de se afastar temporariamente de um familiar (por norma, a mãe). Este medo exacerbado pode traduzir-se na recusa em ir à escola, na manifestação de preocupação com a possibilidade de um dos progenitores morrer e/ou no medo de dormir sozinha. E como é que se manifesta? Com crises de choro, queixas psicossomáticas (como dores de barriga), pesadelos, etc.

À medida que as crises se prolongam no tempo e os pais desesperam porque não conseguem ajudar os seus filhos, podem surgir alguns episódios de impaciência e intolerância. Sim, os pais também perdem a paciência. Afinal, os adultos também se cansam e não é com certeza fácil gerir estes medos aparentemente inexplicáveis, em particular quando incluem muitas noites mal dormidas, birras diárias antes de sair de casa e outros eventos stressantes. Cada pai e mãe dá o seu melhor para ajudar as suas crianças mas quando o medo se confunde com uma tentativa gratuita de chamar a atenção a disponibilidade pode dar lugar à irritabilidade e à incompreensão.

Mas por que é que as crianças se mostram tão assustadas? Os agentes stressantes vão desde situações novas (como a mudança de escola ou a mudança de casa), adoecimento de um dos membros da família ou mudanças repentinas na rotina da criança. O que acontece é que a criança se sente alarmada e reage instintivamente em busca de ajuda. De resto, muitas destas crises de ansiedade assemelham-se às crises de pânico que nós, adultos, tantas vezes experimentamos – a criança pode sentir fraqueza, falta de ar e uma espécie de nó na garganta.

De que é que a criança precisa? Que os adultos em quem confia se mostrem disponíveis, capazes de empatizar com os seus apelos. Precisa que lhe transmitam segurança, uma base sólida para que se sinta capaz de explorar o desconhecido. À medida que a criança desenvolve laços seguros com os adultos mais próximos, sentir-se-á mais apta a confiar noutras pessoas e em si mesma.

Quando a ansiedade se intensifica e/ou se prolonga por mais de 4 semanas tornando-se incapacitante e/ou prejudicial ao normal desempenho das actividades, podemos estar perante uma perturbação de ansiedade de separação, que requer uma avaliação clínica e respectivo acompanhamento psicológico, sob pena de aquela criança vir a sofrer de um transtorno ansioso ao longo da vida adulta. A psicoterapia é a resposta adequada aos casos em que a ansiedade de separação compromete o normal desenvolvimento da criança, na medida em que permite restituir-lhe a segurança emocional.