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2.7.14

À PROCURA DO PRÍNCIPE ENCANTADO


Já o disse aqui. Há pessoas que conseguem ser estupidamente felizes sozinhas. Não ter um marido ou um namorado não é – não tem de ser – um drama. São pessoas que, tal como a maioria de nós, acham que a vida tem mais graça quando se ama e é amado. Mas não perdem tempo com angústias nem se afundam num estado depressivo só porque ainda não encontraram “a” pessoa com quem esperam viver felizes para sempre. Tenho de admitir que esta atitude positiva não acontece sempre. Há muitas pessoas que se interrogam vezes sem conta:

“PORQUÊ EU?

Por que é que SÓ EU é que não consigo encontrar alguém especial?

Por que é que as minhas relações NUNCA dão certo?”

Afundam-se em pensamentos negativos e corroem-se com as comparações. Olham à sua volta e toda a gente lhes parece mais feliz do que elas próprias. Ignoram o óbvio: ninguém é feliz só porque tem uma namorada, uma mulher ou um casamento de longos anos. Mais: para sermos felizes no amor, é fundamental que sejamos capazes de ser felizes… sozinhos.

Cada pessoa é única e aquilo que leva a que uma pessoa tenha colecionado um vasto número de desilusões amorosas pode ser muito diferente do que está por detrás da história de vida de outra pessoa. Mas enquanto psicóloga clínica há alguns elementos em comum que sou capaz de identificar na maior parte destes casos. Muitas e muitas vezes estamos perante pessoas que buscam desesperadamente encontrar um príncipe encantado, alguém que, de forma mágica, preencha todos os vazios e transforme uma vida sem brilho numa vida de capas de revista. Esta idealização excessiva está demasiadas vezes associada a fraca autoestima, pensamentos irracionais e incapacidade de valorizar o que há de positivo na própria vida.

Para serem felizes no amor, a maior parte destas pessoas precisam de:

APRENDER A VALORIZAR-SE. A autoestima é um dos segredos para que uma relação possa dar certo. Gostarmos de nós mesmos, sermos capazes de identificar as nossas qualidades e aprendermos a lutar por aquilo de que precisamos é meio caminho para que um dia possamos fazer as escolhas certas numa relação. Quando desenvolvemos a nossa autoestima há outra coisa que salta à vista: é mais fácil sermos felizes se ao nosso lado estiver alguém que também goste de si mesmo.

APRENDER A RELATIVIZAR. Um dos problemas associados à idealização do príncipe encantado é a dificuldade em lidar com as falhas. É verdade que devemos lutar pelas nossas necessidades. É verdade que merecemos ter ao nosso lado alguém que mostre que é digno da nossa confiança e que é capaz de estar sempre “lá”. Mas não há pessoas perfeitas. Se não soubermos aceitar os defeitos da pessoa amada, jamais conseguiremos ser felizes no amor. E todas as pessoas têm defeitos. Todas.

APRENDER A ACEITAR O PRÓPRIO CORPO. A sexualidade é um capítulo incontornável em qualquer relação. As pessoas mais inseguras tendem a identificar mil e uma falhas no próprio corpo, escondendo-se tanto quanto puderem. Há sempre qualquer coisa a melhorar no corpo de cada um mas não há nada que uma alimentação equilibrada e um estilo de vida saudável (que inclua exercício físico) não resolvam. Não faz sentido ambicionar uma relação harmoniosa se a própria pessoa não estiver segura de que pode (e deve) ser vista como sensual.


APRENDER A VALORIZAR A AMIZADE. É um cliché mas é um cliché com fundamento: as pessoas que não são competentes na amizade dificilmente serão felizes no amor. Não há nada mais reconfortante do que sabermos que a pessoa com quem dormimos e que nos atrai é, além de tudo o resto, o nosso melhor amigo. Infelizmente, algumas pessoas acham que é possível ter isto tudo mesmo quando o mais-que-tudo é o único amigo. Não é. Desenvolver competências nos laços de amizade – ser capaz de ceder, ser capaz de alimentar os afetos, reconhecer a importância do apoio incondicional – é fundamental para que se possa viver um grande amor.
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