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19.4.12

CÔNJUGE CONTROLADOR



Estou casada há pouco mais de seis meses e, apesar de passar todo o tempo livre com o meu marido, ele parece sentir-se enciumado com o facto de eu dar atenção a outras pessoas. No outro dia fomos visitar os meus pais e ele fez uma “cena” acusando-me de ter passado demasiado tempo à conversa com o meu irmão. Depois de 8 anos de namoro com uma pessoa que mais tarde me apercebi que era emocionalmente violenta, a última coisa de que preciso é de repetir a dose!...
Sónia, 32 anos

Quando se fala de pessoas ciumentas/ controladoras a primeira coisa que parece óbvia é que os seus comportamentos são normalmente dominados por níveis elevados de insegurança. E, de facto, isso corresponde à verdade na maior parte dos casos. Quanto maior for a ansiedade, normalmente associada a eventos passados que deixaram marcas profundas, maior a probabilidade de a pessoa cometer disparates, cedendo à impulsividade e aos medos irracionais, acabando quase sempre por prejudicar o cônjuge – com birras, amuos, descontrolo, pedidos mais ou menos estapafúrdios.

A origem desta insegurança pode estar relacionada com experiências amorosas marcadas por traições ou por acontecimentos muito mais distantes no tempo relacionados com a infância e/ou com a relação dos próprios pais. Não raras vezes, ao fazer-se a recolha de informações acerca do percurso de vida destas pessoas é possível identificar eventos traumáticos cujo impacto fora desvalorizado pelo próprio, pelo menos até iniciar o processo terapêutico.

Como na generalidade destes casos a pessoa está muito mais centrada na dor provocada pelo medo exacerbado da perda do que na origem (e sólida resolução) do problema, vai cedendo aos impulsos, ignorando que o seu comportamento possa tornar-se agressivo, emocionalmente abusivo. Infelizmente, encontram muitas vezes feedback que alimenta o problema relacionando-se com pessoas carentes, com autoestima fragilizada e que relevam as crises de ciúmes com desculpas do tipo “Ele(a) age assim porque gosta de mim”… Claro que à medida que o tempo passa e o cônjuge da pessoa insegura vai cedendo às suas exigências, a escalada cresce, os pedidos são cada vez menos razoáveis, a necessidade de controlo é cada vez maior e a probabilidade de estarem reunidas as condições para uma relação marcada pela violência emocional também.

No exemplo acima é bem patente a falta de razoabilidade do episódio. Pelo menos para quem está de fora é notória a imponderação associada à “cena” que aquele marido decidiu fazer.

A insegurança é de tal ordem que
qualquer evento em que a mulher tenha de
focar a atenção noutras pessoas que não o próprio
é motivo de angústia e, claro, birra.

Ainda que estejamos, neste caso, a referir-nos ao cunhado. Ainda que TODO o tempo livre daquela mulher seja passado ao seu lado. Por outro lado, é também evidente o padrão relacional desta mulher que, tendo no seu passado afetivo uma relação marcada por abusos emocionais, não é capaz de reconhecer que terá optado exatamente pelo mesmo “tipo” de parceiro – inseguro, controlador e, a seu tempo, muito provavelmente emocionalmente abusivo. É verdade que se queixa do controlo excessivo mas é pouco provável que tenha estado atenta aos anteriores sinais de alarme. De resto, terá já feito cedências que pouco ou nada teriam de razoável.

É absolutamente crucial estar atento aos primeiros sinais de ciúme excessivo, colocar um travão e, claro, pedir ajuda no caso de se querer continuar a relação. Ignorar/desvalorizar os comportamentos controladores e/ou esperar que, com o tempo, com a oficialização da união ou com o facto de passarem a viver juntos as coisas mudem é arriscar demasiado. Infelizmente, são muitas as pessoas que só se dão conta da dimensão do problema quando a escalada atinge níveis alarmantes. De um modo geral, por essa altura já se isolaram dos familiares e amigos, estão psicologicamente exaustas e descrentes no amor. NÃO COMPENSA.
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