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18.3.14

JÁ FICOU CEGO DE RAIVA?


Já me "cansei" de dizer que há um motivo por que a paixão “só” dura, no máximo, dois anos. É que seria muito difícil manter todas as outras relações (profissionais, sociais ou afetivas) se ela durasse mais. Ninguém aguentaria viver permanentemente naquele estado de euforia, debaixo de toda aquela ativação fisiológica. Ou aguentaríamos?

Algumas pessoas vivem de forma permanentemente intensa. É como se estivessem sempre no limite. Amam de forma particularmente intensa. E zangam-se exatamente com a mesma intensidade. Lidam muito mal com a rejeição, com os ciúmes, com tudo aquilo que fuja ao seu controlo ou coloque em risco a sua relação.

Qualquer um de nós já passou por uma explosão de raiva, um momento de maior impulsividade ou teimosia. E qualquer pessoa pode perder momentaneamente o controlo e, em função do ciúme intenso e do medo da perda, assumir uma atitude mais brusca. Aquilo que na generalidade dos casos acontece é uma progressiva diminuição da ativação fisiológica e a capacidade para assumir o erro – “Descontrolei-me. Não devia ter dito/ feito aquilo”. Normalmente a pessoa cai em si, pede desculpas e tenta gerir as emoções de forma mais equilibrada. E depois há estas pessoas, aquelas de quem falo hoje, que mostram este descontrolo muito frequentemente, acabando por causar danos sérios nas suas relações afetivas.

São pessoas que vivem o amor de forma disfuncional. Porquê? Sobretudo porque, ainda que não pareça, estas pessoas têm uma baixíssima autoestima. Olham para si mesmas de forma muito negativa e encaram a pessoa amada como a solução para tudo. Como são extremamente impulsivas, qualquer adversidade pode ser sinónimo de desespero capaz de desencadear uma reação muito mais intensa do que seria normal. Ficam cegas de raiva. Como estas explosões são desproporcionais, irracionais e embaraçosas, a tal “pessoa amada” tende a desligar-se.

Não é fácil manter uma relação com quem viva os afetos desta forma e os danos acabam quase sempre por sobrepor-se ao que há de positivo. Mas tão-pouco é fácil acabar uma relação assim. A rutura pode ser dificultada quer pelo desespero intenso (ameaças, chantagem, zaragatas), quer pelas (também intensas) manifestações de amor.


Como o amor deve ser vivido de forma muito mais positiva (e muito menos danosa), romper estes ciclos viciosos implica treino, ajuda especializada. Implica aprender a viver a vida com menos intensidade, controlar a ira e viver o amor com menos “sangue”. 
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