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17.11.14

CIÚME – O QUE É QUE É NORMAL?


ci·ú·me 

substantivo masculino
1. Receio ou despeito de certos .afetos alheios não serem exclusivamente para nós.
2. Inveja.
3. Receio.

"ciúme", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, 
http://www.priberam.pt/DLPO/ci%C3%BAme.

Qual é o peso do ciúme numa relação? É normal? É prejudicial? É essencial?

Há quem diga que não há amor sem ciúme, como se quem não sente ciúme não chegue a amar de facto a pessoa que tem ao lado. E depois há quem se sinta escaldado por relacionamentos mais ou menos claustrofóbicos e olhe para qualquer manifestaçãozinha de insegurança como se se tratasse de um exemplo claro de ciúme patológico. Então, o que é que é saudável para uma relação? É imprescindível que haja algum ciúme? Ou será que uma relação feliz não deve incluir este tipo de receios?


É normal que nos sintamos tristes com um ou outro comportamento da pessoa de quem gostamos. E claro que é normal que nos sintamos enraivecidos a propósito de uma ou outra escolha. Já não é assim tão saudável que a tristeza ou a raiva sejam sentimentos recorrentes numa relação amorosa. Por muito que continue a ouvir-se coisas como “os opostos atraem-se” ou “quanto mais me bates, mais gosto de ti”, a verdade é que aquilo que procuramos numa relação amorosa é segurança, afeto, cumplicidade, amparo e alegria. Não é tristeza nem fúria. Há um plafond para essas emoções: por exemplo, algumas investigações têm demonstrado que numa relação estável há um rácio de vinte interações positivas (beijinhos, abraços, elogios) para cada interação negativa (críticas, amuos, gritos). Isso não significa que numa relação feliz não haja espaço para gritos. Há. Mas não há relação feliz se houver gritos todos os dias. E depois há relações que, não sendo perfeitas, são relações onde não há gritos.

Tenho sempre muitas dúvidas em relação à suposta satisfação conjugal de quem NUNCA discute. Não é uma questão de acreditar que as discussões possam apimentar o que quer que seja. É, sobretudo, a certeza de que numa relação íntima é praticamente impossível que não haja zangas, tensões, atrito. Então, quando duas pessoas me dizem que nunca se zangam, temo o pior: que aquela não seja uma relação suficientemente íntima, que aquelas duas pessoas não estejam a conseguir-se expor-se totalmente.

Em relação ao ciúme, as coisas podem colocar-se desta forma: é normal sentir ciúme a propósito de um ou outro comportamento do parceiro.


Mas não é saudável que alguém viva permanentemente inseguro, enciumado. O ciúme, tal como a tristeza ou a raiva, não apimenta nada. É, apenas, uma emoção legítima, que pode atingir qualquer pessoa. Se alguém se sentir permanentemente inseguro, dificilmente terá disponibilidade mental para fazer a outra pessoa feliz.

É normal que uma mulher se sinta enciumada quando vê o marido a conversar entusiasmado com uma colega. E até é normal que lhe mostre o seu incómodo, temendo que a atenção que ele dá à colega possa colocar a relação em risco. O ciúme é um sentimento. E todos os sentimentos são normais. Mas a relação pode não ser saudável se a mulher der por si a pensar “Porque é que ele está a falar com ela? Será que a acha mais interessante do que eu? Será que está a flirtar com ela? Será que está a pensar trair-me?”. Nesse caso, a mulher poderia assumir um comportamento controlador, tentando impedir que o marido voltasse a falar com a colega.


Quando a emoção (legítima) passa a controlar a pessoa (em vez de ser a pessoa a controlar a emoção), surgem comportamentos pouco legítimos que tendem a produzir o efeito contrário ao esperado. É normal sentir ciúme. Mas nem todos os comportamentos são aceitáveis.
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